Zelensky retira Ucrânia de tratado que proíbe uso de minas antipessoal

Países vizinhos da Rússia, como Finlândia, Polônia e Bálticos, já saíram ou planejam sair do tratado.


O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, anunciou no domingo (29) a assinatura de um decreto que retira oficialmente o país da Convenção de Ottawa, tratado internacional que proíbe o uso e a produção de minas antipessoal. A medida, segundo Zelensky, é uma resposta às táticas adotadas pela Rússia na guerra que já dura 40 meses. A Ucrânia havia ratificado a convenção em 2005.

Zelensky afirmou em seu discurso noturno que a Rússia nunca foi parte do tratado e faz uso “com o máximo cinismo” de minas antipessoal e outras armas, como mísseis balísticos. “Esta é uma marca registrada dos assassinos russos. Destruir vidas por todos os meios à sua disposição… Vemos como nossos vizinhos na Europa reagem a essa ameaça”, declarou. “Também conhecemos as complexidades do procedimento de retirada quando conduzido durante uma guerra. Damos esse passo político e sinalizamos aos nossos parceiros políticos o que deve ser priorizado. Isso diz respeito a todos os países que fazem fronteira com a Rússia.”

Zelensky argumentou que as minas antipessoal são “frequentemente o instrumento que não pode ser substituído para fins de defesa”.

Outros países fronteiriços com a Rússia, como Finlândia, Polônia, Estônia, Letônia e Lituânia, também já deixaram ou indicaram que pretendem deixar o tratado.

Na noite de sábado (28), a Ucrânia sofreu o maior ataque aéreo desde o início da invasão russa em fevereiro de 2022. A Força Aérea Ucraniana informou que foram lançados 477 drones e iscas, além de 60 mísseis. Desses, 475 foram abatidos ou falharam. Ao menos três pessoas morreram no ataque, e outras duas em bombardeios subsequentes.

Durante a ofensiva, o piloto ucraniano Maksym Ustymenko morreu ao repelir os ataques. Segundo a Força Aérea, ele destruiu sete alvos antes de sua aeronave ser danificada e cair. Zelensky concedeu a ele postumamente o título de Herói da Ucrânia, a mais alta honraria nacional.

O Kremlin afirmou no domingo que sanções europeias mais severas resultarão em impacto econômico negativo para o próprio continente, alegando que a Rússia já se tornou resistente a sanções “ilegais”.

Também no domingo, o chefe da espionagem russa, Sergey Naryshkin, revelou que conversou por telefone com o diretor da CIA, John Ratcliffe. “Tive uma conversa telefônica com meu homólogo americano e concordamos em ligar um para o outro a qualquer momento para discutir questões de interesse mútuo”, afirmou à televisão estatal russa, sem dar mais detalhes.