Senado dos EUA rejeita proposta que limitaria ação militar de Trump contra o Irã

A votação ocorreu poucas horas após Trump declarar que poderia ordenar novos bombardeios ao Irã.


O Senado dos Estados Unidos, sob maioria republicana, rejeitou na sexta-feira (27) uma proposta apresentada pelos democratas que visava restringir o presidente dos EUA, Donald Trump, de autorizar novas ações militares contra o Irã sem aprovação do Congresso. A medida foi rejeitada por 53 votos contra 47.

A resolução sobre os poderes de guerra exigiria autorização expressa do Congresso para qualquer nova hostilidade contra o Irã. A votação seguiu majoritariamente as linhas partidárias, com exceção do democrata John Fetterman, da Pensilvânia, que votou com os republicanos, e do republicano Rand Paul, do Kentucky, que apoiou os democratas.

O senador Tim Kaine, principal autor da proposta, destacou que a Constituição dos EUA confere exclusivamente ao Congresso o poder de declarar guerra, e que qualquer ofensiva contra o Irã deve ser autorizada por uma declaração formal ou por uma autorização específica para o uso da força militar.

“Se você acha que o presidente deveria comparecer ao Congresso, seja você a favor ou contra uma guerra no Irã, você apoiará a Resolução Conjunta 59 do Senado, você apoiará a Constituição que resistiu ao teste do tempo”, afirmou Kaine.

A votação ocorreu poucas horas após Trump declarar que poderia ordenar novos bombardeios ao Irã caso Teerã continue enriquecendo urânio a níveis alarmantes. Ele também voltou a criticar o líder supremo do Irã, Ali Khamenei, e descartou suspender as sanções contra o país.

A recente escalada se deu após um conflito de 12 dias entre Irã e Israel, encerrado com bombardeios dos EUA a instalações nucleares iranianas. Trump afirmou que essas estruturas foram “obliteradas”. No entanto, parlamentares democratas que participaram de reuniões confidenciais com a equipe de segurança nacional de Trump disseram não estar convencidos da gravidade dos danos.

O senador Bill Hagerty, republicano do Tennessee, afirmou que a resolução poderia comprometer a capacidade de qualquer presidente de agir rapidamente durante crises. “Não devemos acorrentar nosso presidente no meio de uma crise quando vidas estão em jogo”, declarou.