Após anos de investigação, OMS admite incerteza sobre o início da COVID-19

A OMS declarou a COVID-19, surgida na China, como pandemia em 2020.


Um grupo de especialistas designado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para investigar a origem da pandemia de COVID-19 divulgou, na sexta-feira (27), seu relatório final com uma conclusão inconclusiva: os cientistas ainda não sabem como começou a pior crise sanitária dos últimos cem anos.

Durante uma coletiva de imprensa, Marietjie Venter, presidente do grupo, afirmou que a maioria dos dados científicos sustenta a hipótese de que o novo coronavírus foi transmitido de animais para seres humanos. Essa também foi a principal conclusão da primeira missão da OMS, em 2021, que apontou a transmissão de morcegos para humanos, possivelmente por meio de outro animal intermediário. À época, a entidade considerou “extremamente improvável” a hipótese de vazamento de laboratório.

Segundo Venter, após mais de três anos de trabalho, o grupo não teve acesso aos dados necessários para avaliar se a COVID-19 poderia ter sido causada por um acidente laboratorial, apesar dos frequentes pedidos por centenas de sequências genéticas e informações sobre biossegurança enviados ao governo da China.

“Portanto, essa hipótese não pôde ser investigada ou descartada”, afirmou. “Foi considerada muito especulativa, baseada em opiniões políticas e sem respaldo científico.” Ela ainda revelou que os 27 especialistas não chegaram a um consenso. Um membro renunciou nesta semana, e outros três solicitaram a remoção de seus nomes do relatório. Venter reforçou que não há indícios de manipulação laboratorial, nem evidências de que o vírus estivesse circulando antes de dezembro de 2019 fora da China.

“Até que mais dados científicos estejam disponíveis, as origens de como o SARS-CoV-2 entrou nas populações humanas permanecerão inconclusivas”, concluiu.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, classificou como um “imperativo moral” descobrir a origem da pandemia, citando ao menos 20 milhões de mortos e perdas de US$ 10 trilhões na economia global.