EUA deslocam bombardeiros B‑2 em meio a tensões com o Irã

O movimento ocorre sob pressão de Israel por ataque a Fordow, no Irã.


Os Estados Unidos iniciaram neste sábado (21) o deslocamento de bombardeiros stealth B‑2 Spirit, em um movimento que sugere a preparação para uma possível ação militar contra o Irã. O presidente dos EUA, Donald Trump, se reuniu com sua equipe de segurança nacional para avaliar as opções estratégicas.

Segundo o Wall Street Journal, os B‑2 decolaram da Base Aérea Whiteman, no Missouri, com destino ao Pacífico, possivelmente rumo à Base Aérea de Andersen, em Guam. Essas aeronaves são capazes de transportar bombas bunker-buster GBU‑57, projetadas para penetrar instalações subterrâneas fortificadas como o complexo nuclear de Fordow, no Irã.

Fontes do Pentágono ouvidas pela The São Paulo News indicam que ainda não há ordem oficial para um ataque, mas o envio dos bombardeiros reforça a pressão estratégica, em meio à sobreposição entre diplomacia e ameaças. Dados de rastreamento de voo revelam dois grupos de quatro aviões-tanque conectando-se com os bombardeiros sobre o Kansas.

As aeronaves utilizavam o indicativo “MYTEE21”, anteriormente associado a missões sigilosas com B‑2.

O Reino Unido teria que autorizar o uso de Diego Garcia, território sob sua soberania, para ataques. No entanto, essa autorização não seria necessária caso a operação parta de Guam.

O envio dos B‑2 integra um pacote militar mais amplo. Além deles, os EUA deslocaram aeronaves-tanque, navios de defesa antimísseis e caças F‑22 e F‑35 para bases na Europa, Mediterrâneo e Oriente Médio. O porta-aviões USS Nimitz e o maior navio de guerra do mundo, o USS Gerald R. Ford, devem se juntar ao USS Carl Vinson, aumentando o contingente naval americano na região.

O secretário de Defesa, Pete Hegseth, declarou no Senado que o Pentágono mantém “todos os cenários militares no leque”, incluindo a possível liberação da bomba bunker-buster, mas ressaltou que, por ora, a postura é “defensiva e preservativa”. Trump afirmou que deve tomar uma decisão “dentro de duas semanas”, embora prefira uma solução diplomática.

Analistas apontam que os B‑2, únicos capazes de transportar a GBU‑57, são a principal solução aérea para atingir alvos profundos como Fordow. A frota de 19 bombardeiros com alcance intercontinental é considerada peça-chave da dissuasão estratégica dos EUA.

Até o momento, não há confirmação da presença dos B‑2 no Oriente Médio. A instalação em Guam, Diego Garcia ou outra base avançada dependerá de novas movimentações. O Pentágono afirma que o reforço responde à crescente instabilidade regional e à presença de cerca de 40 mil militares americanos na região.