Macron lança iniciativa europeia para resolver crise entre Irã e Israel

Poucas informações foram disponibilizadas sobre essa iniciativa europeia liderada pela França.


A França está articulando uma proposta diplomática a ser apresentada aos seus parceiros europeus com o objetivo de conter a escalada do conflito entre Israel e Irã, em meio ao crescente temor de uma ampliação regional da crise.

Após uma reunião do Gabinete de Defesa realizada na quarta-feira (18), o presidente Emmanuel Macron incumbiu o ministro das Relações Exteriores, Jean-Noël Barrot, de “liderar, nos próximos dias, uma iniciativa com nossos parceiros europeus mais próximos, com vistas à formulação de uma solução negociada rigorosa”, informou o Palácio do Eliseu.

O comunicado presidencial não especifica os contornos da proposta nem os países europeus diretamente envolvidos. A França integra o chamado grupo E3 — composto ainda por Reino Unido e Alemanha — que há anos conduz negociações nucleares com o Irã.

Uma autoridade europeia confirmou ao portal POLITICO que a alta representante da União Europeia para Assuntos Externos, Kaja Kallas, participará de uma reunião com os ministros do grupo E3 e o chanceler iraniano em Genebra, nesta sexta-feira (20). Segundo a fonte, o encontro presencial dá sequência a uma ligação telefônica realizada entre os quatro representantes na segunda-feira anterior. O objetivo principal será discutir os últimos desdobramentos e pressionar Teerã a retomar as negociações diplomáticas.

Durante a cúpula do G7 realizada no Canadá no início da semana, Macron afirmou que uma proposta de cessar-fogo entre Israel e Irã havia sido apresentada ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O presidente americano, no entanto, rejeitou publicamente a afirmação, alegando que Macron “está sempre errado”.

Na quarta-feira, o presidente francês também apelou pelo fim dos ataques militares que atingem civis e infraestruturas não relacionadas ao programa nuclear iraniano. Segundo o Eliseu, Macron manifestou “preocupação com a escalada atual, marcada por ofensivas israelenses contra alvos cada vez mais distantes do programa nuclear e balístico do Irã”.

Apesar dos reiterados apelos europeus por moderação, as ações diplomáticas têm encontrado resistência tanto em Washington quanto em Tel Aviv, sem sinais concretos de recuo nas operações militares em curso.