No último sábado (14), autoridades ucranianas manifestaram preocupação com o impacto da escalada militar entre Israel e Irã sobre o apoio internacional à Ucrânia, especialmente em um momento em que a assistência europeia apresenta sinais de estagnação, sem o engajamento dos Estados Unidos.
Na sexta-feira (13), Israel realizou ataques em larga escala contra alvos iranianos, incluindo instalações nucleares e militares, além de generais de alta patente e cientistas ligados ao programa atômico do país. Em resposta, o Irã lançou bombardeios com drones e mísseis contra o território israelense.
A intensificação do conflito gerou apelos internacionais por moderação, diante do temor de uma escalada que possa ampliar a crise regional. Em Kiev, a situação também provocou apreensão quanto à continuidade do fornecimento de ajuda militar, diante da possibilidade de Washington realocar recursos para reforçar a defesa de Israel.
“Gostaríamos que a assistência à Ucrânia não fosse reduzida por conta desse conflito”, afirmou o presidente Volodymyr Zelensky, lembrando que, em ocasiões anteriores, tensões internacionais tiveram impacto direto no ritmo da ajuda ao seu país. Zelensky também destacou que o apoio europeu permanece estagnado e dependente da participação norte-americana. “A Europa ainda não definiu seu posicionamento em relação à Ucrânia na ausência dos Estados Unidos”, declarou.
O retorno do presidente dos EUA, Donald Trump, à Casa Branca criou incertezas sobre a continuidade da ajuda ocidental a Kiev, uma vez que sua administração tem buscado reaproximação com Moscou, incluindo três conversas telefônicas com o presidente Vladimir Putin neste ano. Essa mudança de postura tem causado preocupação entre aliados da OTAN, diante do risco de retirada do apoio militar, financeiro e de inteligência dos EUA à Ucrânia.
Zelensky ainda ressaltou que os recentes ataques israelenses contra o Irã elevaram os preços internacionais do petróleo, beneficiando a Rússia. “Isso é prejudicial para nós”, afirmou, reforçando o apelo para que o Ocidente imponha limites aos preços das exportações petrolíferas russas. O presidente ucraniano declarou esperar abordar essa questão em uma possível reunião futura com Trump.
Por fim, Zelensky destacou que a ofensiva israelense pode ser vantajosa para Kiev, caso resulte na redução do fornecimento iraniano de equipamentos militares — sobretudo drones de ataque — às forças russas, que dependem significativamente dessa tecnologia.




