A líder da oposição venezuelana e vencedora do Prêmio Nobel da Paz, María Corina Machado, retornou à Venezuela no domingo (25), após mais de dez meses no exterior. Sua volta ocorre em meio a uma transição política conduzida com a participação dos Estados Unidos, mas que, até o momento, deixou Machado e seu movimento político à margem das negociações.
Machado deixou o país em dezembro de 2025 para receber o Nobel da Paz na Noruega. Desde então, permaneceu fora da Venezuela após enfrentar dificuldades para retornar, segundo seus aliados. A dirigente havia tentado entrar no país pelo menos sete vezes, sem sucesso, de acordo com integrantes de seu partido, Vente Venezuela.
O retorno foi marcado pela recepção de apoiadores em diferentes localidades, incluindo Caracas, onde manifestantes se reuniram para saudá-la. Em uma publicação nas redes sociais, Machado anunciou sua chegada e declarou: “Estou aqui. Com vocês”.
A volta da opositora ocorre meses após a captura do ex-ditador Nicolás Maduro por forças norte-americanas, em janeiro, e a posse de Delcy Rodríguez como presidente interina. Desde então, Washington passou a negociar com o governo venezuelano medidas para promover mudanças políticas e econômicas, além de uma eventual transição democrática.
Apesar do apoio dos Estados Unidos a Machado em anos anteriores, o presidente Donald Trump tem trabalhado com Rodríguez, que aceitou medidas defendidas por Washington, incluindo mudanças no setor petrolífero e a libertação de presos políticos.
O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, afirmou que o retorno de Machado foi possibilitado pelas negociações em andamento e pediu que os diferentes grupos políticos apoiem o processo. A dirigente, por sua vez, busca pressionar por eleições livres e democráticas.
Rodríguez classificou a volta da opositora como um “espetáculo” e não confirmou se ela participará das negociações políticas. Ainda não há uma data oficial para a realização de novas eleições presidenciais no país.




