O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, afirmou na quarta-feira (16) que, caso a Europa ataque a Rússia, o conflito resultante seria “completamente diferente” e “muito curto”.
Durante discurso no Festival Internacional da Juventude, na cidade russa de Ecaterimburgo, Lavrov reiterou que Moscou não pretende atacar países europeus e afirmou não ter interesse em fazê-lo.
“A Rússia já afirmou repetidamente que não vai atacar países ocidentais e que não tem interesse em fazê-lo. Mas se a Europa, que fala regularmente em se preparar para uma guerra contra a Rússia, atacar a Federação Russa, então será uma guerra completamente diferente e muito curta”, declarou.
Segundo o chanceler, o confronto não faz parte da abordagem russa, posição que, de acordo com ele, vem sendo reiterada pela liderança do país, incluindo o presidente Vladimir Putin.
Lavrov também criticou o que classificou como política ocidental de contenção da Rússia e citou a expansão da OTAN em direção às fronteiras russas. Ele afirmou que a preparação para um eventual conflito com Moscou se tornou um tema recorrente entre líderes europeus.
O ministro declarou ainda que o envio de contingentes militares ocidentais à Ucrânia equivaleria a uma declaração de guerra contra a Rússia.
Lavrov afirmou que Moscou permanece disposta a negociar uma solução para o conflito na Ucrânia e aguarda propostas para a retomada das conversas, embora tenha demonstrado pouco otimismo quanto às perspectivas de avanço. Sobre o local das negociações, disse que qualquer opção poderia ser considerada, incluindo a Sérvia, desde que aceita por todos os envolvidos.
O chanceler também afirmou que a Rússia verifica informações sobre a confirmação, por parte de Washington, de que os EUA já possuem armas militares no espaço.
Sobre as relações com os Estados Unidos durante o governo de Donald Trump, Lavrov disse que o diálogo entre os países ainda não havia produzido mudanças concretas em áreas relevantes das relações bilaterais.
Em relação às eleições parlamentares russas, previstas para ocorrer entre esta sexta-feira (18) e domingo (20), o ministro acusou países ocidentais de tentar interferir no processo eleitoral.
Lavrov afirmou ainda que Moscou não pretende restabelecer com a Europa o nível de proximidade existente após o fim da União Soviética nem firmar acordos com países europeus que afetem a segurança da Rússia.




