OTAN diz que Rússia poderia criar crise no Ocidente junto à China

Chefe da OTAN alerta para pressão simultânea de Rússia e China.


O secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, afirmou que uma eventual ação militar da China contra a ilha democrática de Taiwan ou na primeira cadeia de ilhas poderia ser acompanhada por uma grave crise provocada pela Rússia na Europa. Nesse cenário, a OTAN e os EUA teriam de lidar simultaneamente com ameaças em duas frentes. Rutte fez a declaração em 10 de setembro, em Berlim, na Alemanha, durante uma conferência de chefes de missões diplomáticas alemãs.

Rutte apresentou a hipótese como um cenário de planejamento, e não como uma previsão de guerra. Segundo ele, caso Pequim recorresse à força, o presidente chinês, Xi Jinping, poderia pedir ao presidente russo, Vladimir Putin, que mantivesse os países ocidentais ocupados na Europa.

O secretário-geral não afirmou que a China tenha decidido atacar Taiwan. O argumento foi apresentado como um risco a ser considerado no planejamento de defesa, diante da crescente interligação entre a segurança europeia e a do Indo-Pacífico.

Rutte avaliou que, caso as forças americanas fossem concentradas na Ásia, a capacidade de deslocar os mesmos recursos aéreos, navais, de mísseis e de defesa aérea para a Europa poderia ser limitada. Por isso, defendeu que os países europeus assumam uma parcela maior da responsabilidade pela própria defesa.

O secretário-geral classificou a ameaça russa à Europa como de longo prazo. Segundo Rutte, Moscou destina mais de 10% de sua renda nacional à defesa e quase metade do orçamento estatal ao setor, enquanto sua base industrial trabalha amplamente para o esforço de guerra. Ele também citou atividades híbridas russas na Europa, como ciberataques, sabotagem, violações do espaço aéreo e incidentes envolvendo drones.

Rutte afirmou que a OTAN é capaz de defender seu território atualmente, mas alertou que, sem os investimentos realizados nos últimos anos, a organização poderia enfrentar riscos às suas capacidades de defesa entre 2029 e 2031.

Os países europeus e o Canadá vêm ampliando os gastos militares, a pedido dos EUA, assim como a produção de munições, veículos blindados e sistemas de defesa aérea. Rutte destacou a Alemanha, que planeja elevar os gastos essenciais com defesa para cerca de 3,5% do PIB até 2029 e ampliar sua capacidade industrial e presença militar no flanco oriental da OTAN.

Rutte ressaltou que a OTAN não considera inevitáveis nem um conflito entre China e Taiwan nem um ataque russo aos países da organização. Segundo ele, o fortalecimento das capacidades europeias busca preparar os aliados para a possibilidade de uma pressão simultânea sobre os recursos ocidentais.


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