O governo de Donald Trump tentou incluir a compra de aviões comerciais da Boeing por companhias aéreas brasileiras em um acordo negociado após a imposição de tarifas de 50% sobre produtos do Brasil, em 2025. A exigência constava de uma minuta de declaração conjunta entregue a negociadores brasileiros em Washington, em 16 de outubro daquele ano, segundo documentos obtidos e conferidos pelo jornal Estadão.
O texto americano previa um compromisso de aquisição de aeronaves fabricadas nos EUA, incluindo anúncios de intenção de compra de “[xx] aeronaves Boeing”. Os colchetes indicavam que a quantidade ainda seria negociada. Portanto, a minuta não estabelecia uma encomenda fechada.
O número de 90 aviões aparece em outro documento, elaborado pelo governo brasileiro em setembro de 2025. Segundo o Estadão, o texto examinava alternativas para as negociações comerciais e projetava uma possível meta de compras de produtos dos EUA. Não se tratava de uma quantidade exigida na minuta americana nem de uma encomenda assumida pelas companhias aéreas.
A proposta levantava uma dificuldade: as compras seriam feitas por empresas privadas, embora o compromisso estivesse sendo discutido entre os governos. Entre as maiores operadoras do mercado brasileiro, a Gol utiliza aviões da família Boeing 737, enquanto a Latam emprega aeronaves da fabricante principalmente em rotas de longa distância. A Azul informou ao Estadão que não possui aviões Boeing em sua frota.
De acordo com a apuração do Estadão, o chanceler Mauro Vieira descartou os termos apresentados em outubro e orientou seus assessores a não levá-los às reuniões oficiais daquele dia. A minuta também continha exigências relacionadas às eleições brasileiras de 2026. O jornal Folha de S.Paulo confirmou o conteúdo dessa parte do documento com fontes da diplomacia brasileira.
Em uma nova proposta enviada em janeiro de 2026, o governo americano voltou a incluir o setor aeroespacial nas tratativas, desta vez pedindo a remoção de barreiras à venda de jatos executivos dos EUA no Brasil. A mudança indica que o compromisso relativo à compra de aviões comerciais da Boeing não se converteu em acordo na primeira rodada de negociações.




