Operação contra PCC mira ex-presidente da Câmara de SP

Milton Leite é alvo de um mandado de prisão temporária.


O ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite é alvo de um mandado de prisão temporária por 30 dias, expedido no âmbito da Operação Vectura Corrupta, deflagrada nesta quinta-feira (17) para investigar núcleos do Primeiro Comando da Capital (PCC) relacionados a empresas do transporte público paulista. Leite não foi localizado nos endereços procurados pelos investigadores e é considerado foragido.

Em contato com o jornal Folha de S.Paulo, por telefone, o ex-vereador afirmou estar fora de São Paulo e negou estar foragido. “Vou me entregar em 24 horas. Estou me organizando com meus advogados”, declarou. Leite também negou as acusações e afirmou não ser proprietário da empresa de ônibus Transwolff.

“Nego veementemente, não conheço ninguém do PCC nessa vida. A minha relação com o setor (de transportes) foi institucional, a pedido do então prefeito Bruno Covas. Não há nenhuma hipótese de eu ser dono [da Transwolff]. Nunca tive um carro. A Transwolff tem 600 cooperados, como eu sou dono de um grupo de 600 cooperados?”, afirmou.

A operação investiga suspeitas de que empresas responsáveis pelo transporte coletivo em municípios paulistas tenham passado a ser administradas por integrantes do PCC após a obtenção de licitações. A apuração também envolve suspeitas de corrupção de funcionários públicos.

Ao todo, 16 pessoas são alvo de mandados de prisão, além de buscas em 18 endereços. Entre os presos está Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans. Segundo a investigação, ele teria mantido encontros periódicos com José Daniel Satilite, outro investigado por suposta ligação com a facção, para tratar de interesses do PCC relacionados a empresas de transporte.

Paulo Korek, ex-presidente do clube Água Santa e apontado como proprietário da A2 Transporte, também é alvo da investigação.

A decisão que autorizou a operação, assinada pelo desembargador Sérgio Ribas, aponta que Leite seria “o dono de fato” da Transwolff, acusada de lavar dinheiro para o PCC. A empresa nega a acusação. Segundo o magistrado, Leite “é citado nominalmente por diversas vezes como responsável direto pela operação de algumas das empresas controladas pelo PCC”.

O nome do político também apareceu em investigação da Corregedoria da Polícia Militar sobre supostas conexões com policiais presos por atuarem na escolta particular de dirigentes da Transwolff.

Em nota, a Prefeitura de São Paulo afirmou que a intervenção na Transwolff, determinada em abril de 2024, foi adotada para preservar o sistema municipal de transporte e informou que continuará colaborando com as autoridades.


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