O papa Leão 14 voltou a alertar, na quarta-feira (16), contra a possibilidade de delegar aos algoritmos decisões que, segundo ele, devem permanecer sob responsabilidade humana, em meio ao crescente debate sobre os impactos da inteligência artificial (IA).
Durante sua audiência semanal no Vaticano, o pontífice afirmou que o avanço tecnológico e a expansão das redes sociais e da IA ampliam possibilidades ao reduzir barreiras e distâncias, mas também podem tornar as relações menos pessoais e mais virtuais.
“Por outro lado, as relações tendem a se tornar cada vez menos pessoais, cada vez mais virtuais, e corremos o risco de nos acostumarmos a delegar aos algoritmos decisões que competem apenas à consciência humana”, advertiu diante dos milhares de fiéis reunidos na Praça de São Pedro.
Leão 14 também defendeu que a comunidade cristã contribua para preservar relações sociais com maior profundidade pessoal. “Velar para que as relações sociais tenham uma verdadeira consistência e uma profundidade pessoal é, nesse sentido, a contribuição que a comunidade cristã se propõe a oferecer”, afirmou.
O papa dedicou sua primeira encíclica, publicada em maio, aos desafios relacionados à inteligência artificial. No documento, fez um apelo para “desarmar” a tecnologia e “impedir que domine o humano”.
O tema ganhou força nas últimas semanas em razão de incidentes de segurança e do desenvolvimento de modelos de IA capazes de realizar processos de autoaperfeiçoamento com menor intervenção humana. O debate também envolve a capacidade de autorregulamentação do setor, após executivos das companhias OpenAI, xAI e Anthropic defenderem uma desaceleração.
Nos últimos meses, a Santa Sé também promoveu iniciativas em defesa de uma governança internacional da IA baseada na dignidade humana, com atenção especial aos setores nuclear, cultural e artístico.




