O Banco do Japão (BoJ) elevou nesta sexta-feira (18) sua principal taxa de juros de 1% para 1,25%, atingindo o maior nível em 31 anos. A decisão dá continuidade ao processo de afastamento de décadas de custos de crédito ultrabaixos e ocorre em meio ao aumento das pressões inflacionárias.
A alta era amplamente esperada pelos mercados. A taxa de 1,25% não era registrada desde 1995 e representa mais um passo na normalização da política monetária japonesa, iniciada em 2024, quando os juros estavam em -0,1%.
Desde então, o BoJ elevou os juros seis vezes, buscando aproximar a política monetária japonesa dos níveis praticados por outras grandes economias.
O movimento ocorre em um cenário de aumento dos preços globais de energia, impulsionado pelas interrupções nos embarques pelo estratégico Estreito de Ormuz em decorrência da guerra entre os Estados Unidos e o Irã. O Japão é particularmente vulnerável ao problema por depender fortemente de importações de energia do Oriente Médio.
Dados oficiais divulgados antes da decisão mostraram que a inflação subjacente japonesa desacelerou de 1,8% em julho para 1,7% em agosto. O índice, porém, permanece próximo da meta de 2% estabelecida pelo banco central.
O país enfrenta ainda outros desafios econômicos, como a desvalorização persistente do iene, o aumento dos preços e a redução da força de trabalho. O Japão passou cerca de três décadas convivendo com inflação muito baixa ou deflação, tornando o atual cenário de alta de preços relativamente recente para a economia.
A elevação dos juros também tende a favorecer a moeda japonesa, ao tornar os ativos denominados em ienes mais atrativos para investidores. “Uma das últimas fontes mundiais de dinheiro extremamente barato está desaparecendo”, afirmou Lale Akoner, analista de mercado da eToro.
O iene permanece sob pressão. Em agosto, Japão e EUA confirmaram uma intervenção conjunta no mercado cambial para conter a desvalorização da moeda, que havia atingido o menor nível em quatro décadas. Foi a primeira ação coordenada desse tipo desde 2011.
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, também tem pressionado o BoJ a elevar os juros para sustentar o iene. Segundo Akoner, caso a moeda permaneça fraca apesar do aperto monetário, a pressão inflacionária poderá levar o banco central japonês a acelerar a elevação dos juros.




