O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conversou, na terça-feira (1º), com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, sobre a crise envolvendo a Corte após a divulgação de mensagens trocadas entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, e o ministro Alexandre de Moraes.
Segundo interlocutores do governo, Lula e aliados buscam se distanciar politicamente de Moraes, um dos aliados do petista na Corte, para evitar que o caso tenha impactos sobre a campanha de reeleição do presidente. As mensagens reveladas na terça-feira indicaram proximidade entre o ministro e Vorcaro, ampliando a pressão sobre o Supremo.
No mesmo dia, Lula também foi procurado pelo ministro Gilmar Mendes, decano do STF. O magistrado teria manifestado preocupação com o que considera falta de apoio institucional à cúpula da Polícia Federal (PF), em meio a divergências sobre as investigações relacionadas ao Banco Master.
O episódio ocorre em um contexto de disputa entre o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o ministro André Mendonça. Foi Mendonça quem determinou a elaboração de um relatório da Polícia Federal que revelou as mensagens trocadas entre Moraes e Vorcaro.
Lula discutiu o caso com aliados na manhã de quarta-feira (2). A orientação definida pelo grupo é defender publicamente que ninguém está acima da lei. O presidente deve abordar o tema apenas se for questionado durante entrevistas, adotando, segundo aliados, um tom mais moderado.
O presidente nacional do PT e coordenador da campanha de Lula, Edinho Silva, já se manifestou sobre o caso. Em vídeo divulgado nas redes sociais, afirmou que “ninguém está acima da lei”, independentemente de ocupar cargos políticos ou integrar o Poder Judiciário.
Sem citar nomes, Edinho defendeu mudanças no sistema político e judicial brasileiro, além da criação de um código de ética para integrantes do Judiciário e do Ministério Público. Ele também defendeu o combate aos supersalários e à aproximação entre interesses públicos e privados.
Aliados de Lula avaliam, reservadamente, que a postura adotada pelo presidente deve ser semelhante à que teve em relação às investigações envolvendo seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha. O presidente já afirmou publicamente que o filho deveria prestar esclarecimentos sobre as suspeitas investigadas.
Apesar disso, a avaliação no entorno do Planalto é que Lula não deve tomar a iniciativa de comentar espontaneamente o caso envolvendo Moraes, por considerar que o episódio não está diretamente relacionado ao governo federal.
Em abril, Lula afirmou ter aconselhado Moraes a preservar sua trajetória no Supremo diante das controvérsias relacionadas a Vorcaro. Após um período de afastamento, os dois voltaram a se aproximar nos meses seguintes.
As revelações mais recentes indicam que Vorcaro, dois dias antes de ser preso, quando se preparava para deixar o país, questionou Moraes sobre a possibilidade de sair do Brasil. Também foi divulgado que o ministro aparece como último editor de um contrato de R$ 131 milhões entre o escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, e o Banco Master.




