O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (14) que Washington pretende declarar o Estreito de Ormuz como território norte-americano. A declaração foi feita durante um discurso em uma visita a instalações das forças de segurança no Condado de Nassau, em Nova York.
Trump tem afirmado que os Estados Unidos controlam a passagem estratégica, por onde circula cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo. Na quarta-feira (12), o presidente disse que os EUA teriam “controle total” da região e afirmou que a Marinha norte-americana havia realizado operações para localizar minas no estreito.
A afirmação, porém, é contestada por especialistas. Segundo análises citadas pela emissora norte-americana CNN, nenhum dos lados exerce atualmente controle integral sobre o Estreito de Ormuz, que permanece sob forte tensão desde o início da guerra entre os EUA e o Irã, no fim de fevereiro.
O tráfego marítimo na região caiu significativamente. Na terça-feira (11), apenas 14 embarcações atravessaram o estreito, ante cerca de 120 por dia antes do conflito. O bloqueio naval norte-americano ao Irã também impede o tráfego de embarcações de e para portos iranianos.
A redução do fluxo está relacionada aos riscos para a navegação comercial. Na última semana, pelo menos quatro embarcações da Abu Dhabi National Oil Company foram atingidas por drones e mísseis na região, segundo a empresa.
De acordo com a UKMTO, órgão ligado à Marinha Real Britânica que monitora a segurança marítima, foram registrados 54 relatos de danos a embarcações desde o início da guerra no Estreito de Ormuz, no Golfo Pérsico ou no Golfo de Omã. Também foram confirmadas três perdas totais de embarcações e 13 ocorrências de quase colisão.
O ex-diretor do Centro de Inteligência Conjunta do Comando do Pacífico dos EUA, Carl Schuster, afirmou que a falta de garantias para uma passagem segura impede que Washington seja considerado controlador absoluto do estreito.
O coronel reformado da Força Aérea dos EUA Cedric Leighton também avaliou que nenhum dos lados possui controle total. Segundo ele, a presença militar norte-americana, o bloqueio e a capacidade iraniana de utilizar minas e pequenas embarcações mantêm a região em situação de impasse.




