O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou mandados de busca e apreensão contra Raimundo Soares Cutrim, ex-secretário de Estado do Maranhão, e Diogo Diniz Lima, ex-secretário municipal de São Luís, capital do estado. Os dois são investigados por supostamente fornecerem informações ao jornalista Luís Pablo Conceição Almeida, que publicou reportagens sobre o ministro Flávio Dino no ano passado.
A decisão permite a apreensão de armas, celulares, tablets e outros dispositivos eletrônicos que possam ter relação com os fatos investigados. Moraes também autorizou a Polícia Federal (PF) a acessar o conteúdo dos aparelhos e os dados armazenados em serviços de nuvem.
Luís Pablo foi alvo de busca e apreensão em março, também por determinação de Moraes. O jornalista é investigado por suposta perseguição após publicar reportagens sobre Dino.
Segundo a PF, Cutrim é investigado por perseguição e violação de sigilo funcional. Ele teria utilizado o acesso proporcionado pelo cargo público para consultar sistemas restritos, obter informações protegidas e repassá-las ao jornalista.
Lima é suspeito de participar da articulação. Conforme a investigação, ele teria realizado uma transferência de R$ 100 mil destinada a Luís Pablo, mas depositada na conta de um terceiro. A PF apura se a movimentação estava relacionada à atividade jornalística investigada.
Os investigadores afirmam que os envolvidos teriam obtido informações restritas sobre veículos utilizados na segurança de Dino e repassado o material ao jornalista para embasar publicações contra o ministro.
Uma das reportagens apontou suposto uso irregular de um veículo oficial do Tribunal de Justiça do Maranhão por familiares de Dino. Segundo a investigação, informações sobre o automóvel haviam sido encaminhadas por Cutrim ao jornalista antes da publicação.
A PF também identificou consultas a sistemas restritos para a obtenção de fotografias, vídeos e dados técnicos de veículos vinculados ao Tribunal de Justiça do Maranhão e ao governo estadual. Parte do material teria sido enviada por WhatsApp ao jornalista e incluiria imagens relacionadas à rotina de familiares de Dino, além de dados sobre veículos oficiais e placas reservadas.
Para a PF, os elementos reunidos indicam uma atuação coordenada entre Cutrim, Lima e Luís Pablo para obter informações protegidas e produzir conteúdo contra Dino. Na decisão, Moraes afirma que os investigados podem ter atuado de forma concertada contra a liberdade e a segurança do ministro do Supremo.




