Astrônomos afirmam ter detectado, pela primeira vez, sinais de rádio diretamente de um exoplaneta. A descoberta foi realizada por uma equipe de pesquisadores de Harvard e da Universidade de Oregon, nos Estados Unidos, utilizando o radiotelescópio MeerKAT, na África do Sul. O estudo ainda não foi revisado por pares.
O planeta identificado como Beta Pictoris b é um gigante gasoso com massa superior a 11 vezes a de Júpiter. Descoberto em 2008, ele está localizado a cerca de 64 anos-luz da Terra e leva mais de 23 anos terrestres para completar uma órbita ao redor de sua estrela, Beta Pictoris.
Segundo os pesquisadores, os sinais de rádio não indicam a existência de uma civilização extraterrestre. A hipótese é de que as emissões sejam produzidas por auroras naturais, resultantes da interação de partículas carregadas com o campo magnético do planeta, em um processo semelhante ao observado na Terra.
A equipe identificou rajadas rápidas, recorrentes e altamente polarizadas, além de uma emissão persistente em frequências entre 0,85 e 3,5 GHz. Para distinguir o sinal do exoplaneta daquele emitido por sua estrela hospedeira, os pesquisadores utilizaram quasares como referências para determinar com maior precisão a origem das emissões.
A detecção permitiu estimar diretamente a intensidade do campo magnético de Beta Pictoris b. De acordo com o estudo, o campo magnético do exoplaneta é mais de 300 vezes mais intenso que o de Júpiter.
“Esta é a primeira medição direta da intensidade do campo magnético de um exoplaneta e está de acordo com as previsões de escala de dínamo para um planeta gigante jovem e massivo”, afirmaram os pesquisadores no artigo.
Atualmente, mais de 6.300 exoplanetas foram confirmados fora do Sistema Solar. Parte deles está localizada em zonas habitáveis, regiões ao redor de suas estrelas onde as condições podem permitir a existência de água líquida. No entanto, a enorme distância desses mundos da Terra torna observações detalhadas e eventuais missões espaciais extremamente difíceis.
A Voyager 1, lançada pela NASA em 1977, é a espaçonave humana mais distante da Terra e ainda está a uma distância muito inferior à necessária para alcançar sistemas estelares próximos. Proxima Centauri, por exemplo, está a mais de quatro anos-luz e acredita-se possuir ao menos um exoplaneta do tipo super-Terra confirmado.




