Longas filas para abastecer expõem crise na Rússia em guerra

Vladimir Putin reconheceu o atual déficit de combustíveis no país.


A Ucrânia intensificou, nas últimas semanas, ataques contra a infraestrutura energética da Rússia, provocando interrupções em refinarias e contribuindo para uma crise de abastecimento de combustíveis em diversas regiões do país, segundo relatos da imprensa internacional.

De acordo com uma reportagem publicada pelo jornal The New York Times (NYT), a escassez de gasolina já afeta diferentes áreas da Rússia, incluindo regiões distantes da capital Moscou, como a Sibéria. Em Irkutsk, no leste do país, motoristas chegaram a enfrentar longas esperas para abastecer, enquanto alguns postos passaram a operar com restrições ou sistemas de racionamento.

Uma moradora da região relatou ao NYT ter sido informada de que o abastecimento só era feito mediante cupons, situação que gerou comparações com práticas da era soviética. Em alguns casos, filas para abastecimento chegaram a ultrapassar 18 horas de espera.

“Fiquei horrorizada: será que voltamos à União Soviética, onde era preciso cupons para comprar salsicha?”, disse a moradora Alyona Sadovnikova ao jornal norte-americano.

As dificuldades no fornecimento estariam relacionadas a ataques ucranianos com drones contra refinarias e instalações petrolíferas em território russo, que teriam forçado a interrupção temporária de operações em unidades de processamento. Como consequência, a oferta interna de combustíveis teria sido reduzida, afetando o abastecimento em postos de diversas regiões do país.

Autoridades locais reconheceram restrições pontuais na distribuição de gasolina e, em algumas áreas, houve suspensão temporária da venda para consumidores finais. A situação é mais grave em determinadas regiões do sul e do leste do país, onde postos independentes chegaram a encerrar atividades e longas filas se tornaram recorrentes.

Segundo autoridades russas, o governo avalia medidas para estabilizar o mercado, incluindo ajustes na produção e possíveis alternativas de fornecimento. O Ministério da Energia da Rússia afirmou que o cenário se trata de uma escassez localizada, embora dados de mercado indiquem impacto mais amplo sobre a capacidade de refino.

O presidente russo Vladimir Putin reconheceu publicamente a existência de um déficit no abastecimento, embora tenha afirmado que a situação não é crítica. Segundo ele, os ataques da Ucrânia teriam como objetivo pressionar a economia russa e afetar o cotidiano da população.

O episódio expõe os efeitos indiretos da guerra na Ucrânia sobre a infraestrutura energética russa e evidencia desafios logísticos e econômicos no abastecimento interno de combustíveis, especialmente em regiões mais afastadas dos grandes centros urbanos. As refinarias de petróleo de Moscou e uma importante refinaria no Tartaristão, a cerca de 965 quilômetros a leste da capital, ambas responsáveis por cerca de 10% da capacidade total de produção de gasolina na Rússia, teriam sido fechadas após os ataques ucranianos.