A Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) alcançou 81,1% do Produto Interno Bruto (PIB) em maio, segundo dados divulgados pelo Tesouro Nacional nesta terça-feira (30). O indicador, que reúne as dívidas do governo federal, do INSS e dos governos estaduais e municipais, chegou ao maior patamar em cinco anos, totalizando cerca de R$ 10,6 trilhões.
O resultado representa uma alta de 0,9 ponto percentual (p.p.) em relação a abril, quando a dívida correspondia a 80,2% do PIB. O nível atual está próximo do recorde registrado em 2020, durante a pandemia de Covid-19, quando o indicador atingiu 81,4% do PIB.
Desde o início do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a dívida bruta avançou 9,4 pontos percentuais. Em janeiro de 2023, a relação entre dívida e PIB estava em 71,7%.
O aumento ocorre em meio à continuidade dos déficits nas contas públicas e ao crescimento das despesas obrigatórias. Em maio, o setor público consolidado registrou déficit primário de R$ 56,1 bilhões. No acumulado de 12 meses, o resultado negativo chegou a R$ 149 bilhões, equivalente a 1,14% do PIB.
Além do resultado fiscal, o pagamento de juros também contribuiu para a elevação da dívida. Apenas em maio, os juros nominais pagos pelo setor público somaram R$ 107,5 bilhões, refletindo o alto custo de financiamento da dívida em um cenário de juros elevados no país.
Projeções da Instituição Fiscal Independente (IFI), ligada ao Senado Federal, indicam que, sem mudanças estruturais nas contas públicas, a dívida bruta pode continuar avançando nos próximos anos. A estimativa aponta que o indicador poderia alcançar 115% do PIB em 2036.
A trajetória da dívida pública será um dos principais desafios para o próximo governo, diante da pressão exercida pelo aumento das despesas obrigatórias e da necessidade de equilíbrio fiscal.




