Os danos físicos provocados pelos dois terremotos que atingiram a Venezuela na última semana podem alcançar US$ 6,7 bilhões (cerca de R$ 34,6 bilhões), valor equivalente a aproximadamente 6% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. A estimativa preliminar foi divulgada pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).
O cálculo foi elaborado com base em modelos sísmicos, imagens de satélite e dados populacionais, incluindo perdas de moradias e de infraestrutura, mas sem considerar os impactos econômicos indiretos provocados pela tragédia.
Os terremotos ocorreram na noite de quarta-feira (24), em um intervalo inferior a um minuto. Com magnitudes de 7,2 e 7,5 e epicentros separados por apenas cinco quilômetros, os abalos tiveram como foco a cidade de El Guayabo, localizada a cerca de 168 quilômetros de Caracas, capital e maior cidade venezuelana. A baixa profundidade dos sismos e a elevada concentração populacional da região contribuíram para a extensa destruição.

Segundo o balanço mais recente do governo venezuelano, divulgado no sábado (27), o desastre deixou mais de 1.430 mortos, mais de 3 mil feridos e cerca de 3,1 mil desabrigados.
A Organização das Nações Unidas (ONU) e o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês) avaliam que o número de vítimas pode ser significativamente maior. O USGS estima que o total de mortos possa ultrapassar 10 mil pessoas, enquanto a Organização Internacional para as Migrações (OIM) calcula que até 6,8 milhões de pessoas tenham sido afetadas, sendo cerca de dois milhões apenas em Caracas. O Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU também estima mais de 50 mil desaparecidos.
As operações de resgate continuam com apoio internacional. Mais de 1.600 socorristas estrangeiros já chegaram ao país, incluindo equipes enviadas pelo Brasil e pelos Estados Unidos. O governo venezuelano informou ainda que outros voos com ajuda humanitária e especialistas em resgate são aguardados nos próximos dias, enquanto milhares de militares e policiais permanecem mobilizados nas áreas mais atingidas.




