No G7, Lula diz não suportar o comportamento do governo Trump

Lula fez a declaração ao presidente da Coreia do Sul, que ficou constrangido.


Durante sua participação na cúpula do G7, realizada na França, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chamou atenção por uma sequência de declarações consideradas controversas, feitas após encontros bilaterais ou captadas por transmissões do evento.

A seguir, estão algumas das principais falas do presidente brasileiro durante o encontro das economias mais avançadas e democráticas do mundo:

1. “Trump acha que pode dar ordem ao mundo”:

Uma das declarações ocorreu durante uma conversa entre Lula e o presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-myung. A fala foi captada pela agência Associated Press (AP). Na ocasião, o petista criticou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a quem chamou de “imperador”.

“Eu não gosto de briga. Mas eu não suporto o comportamento do governo americano”, disse Lula. Em seguida, afirmou que Trump tem um “comportamento de imperador” e declarou que o chefe da Casa Branca acredita que pode “levantar de manhã e dar ordem no mundo todo”.

2. “Não se meta nas eleições do Brasil”:

Após Trump comentar a situação política brasileira, classificando o país como “um pouco conturbado” e “perigoso politicamente”, Lula reagiu e afirmou que o presidente americano não deveria interferir nas eleições brasileiras.

“Não se meta nas eleições do Brasil, porque as eleições do Brasil são um problema do Brasil, assim como as eleições americanas são um problema deles”, declarou.

Na mesma fala, o presidente defendeu o sistema eleitoral brasileiro e afirmou que os Estados Unidos poderiam “aprender com o Brasil”. Segundo Lula, não há país com eleições “mais tranquilas, mais leves e menos conturbadas” do que o Brasil. Ele também elogiou as urnas eletrônicas, afirmando que o resultado das eleições brasileiras é conhecido poucas horas após o encerramento da votação.

Ao comentar a situação do Brasil, Trump também mencionou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Ele afirmou ter ouvido que “prenderam alguém que está concorrendo à Presidência” e citou “Bolsonaro Jr.”, em aparente referência aos filhos do ex-presidente.

3. “Eu nunca fui esquerdista”:

Em uma conversa com a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, e com o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, Lula afirmou que nunca se considerou um político de esquerda.

“Eu nunca fui esquerdista. Eu era um dirigente sindical que tinha uma belíssima relação com o sindicalismo alemão, tinha uma relação boa com o sindicalismo italiano. Tinha uma relação com a UGT (União Geral dos Trabalhadores), da Espanha”, disse.

Pouco antes, o petista também afirmou que “o mundo não é de esquerda, mas do caminho do meio”.

4. “Já fui tratado como anticomunista”:

Na mesma conversa, Lula relembrou episódios do início de sua trajetória política e afirmou que chegou a ser visto como anticomunista nos anos 1980.

“Em 1980, havia um congresso na Rússia para o qual fui convidado. Eu não fui à Rússia porque estava condenado pela Lei de Segurança Nacional. Fiz uma viagem pela Europa, angariando solidariedade. Aí passei a ser tratado como anticomunista”, afirmou.