Uma operação conjunta entre Estados Unidos e Venezuela resultou na morte de Héctor Rusthenford Guerrero Flores, conhecido como “Niño Guerrero”, apontado como líder da organização criminosa venezuelana Tren de Aragua, segundo informaram os governos dos dois países na sexta-feira (12).
A informação foi divulgada inicialmente pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que afirmou que a ação foi conduzida pelo Comando Sul americano (SOUTHCOM, na sigla em inglês) e publicou um vídeo que, segundo ele, mostra o momento do ataque.
Pouco depois, Caracas confirmou a participação na operação, realizada no sudeste do estado de Bolívar, e informou que Guerrero foi “neutralizado” durante confrontos com integrantes de grupos criminosos.
“A operação contou com apoio tecnológico especializado e desenvolveu-se mediante mecanismos de cooperação e intercâmbio de informação de inteligência entre as autoridades de ambos os países”, diz o comunicado venezuelano.
Trump havia declarado no ano passado o Tren de Aragua como organização terrorista. “Esta ação foi coordenada de perto com os nossos amigos na Venezuela, com quem estamos trabalhando muito bem”, disse Trump.
“Sob minhas ordens, o Comando Sul dos Estados Unidos realizou um ataque cinético rápido e letal para executar com sucesso Niño Guerrero, o infame líder do Tren de Aragua, uma das organizações terroristas mais sanguinárias do planeta”, continuou Trump.
Ao longo do ano passado, o governo norte-americano ordenou ataques a embarcações que supostamente serviriam para levar drogas aos EUA no Mar do Caribe e no Pacífico. Parte destas, segundo o Comando Sul, pertenceriam ao Tren de Aragua.
Em outubro do ano passado, Trump chegou a afirmar que os EUA estavam em “conflito armado” com as gangues venezuelanas.
“Niño” era considerado o principal líder do Tren de Aragua. Seu nome figurava em acusações apresentadas por promotores federais de Nova York, que o responsabilizavam por crimes como associação criminosa, extorsão, tráfico de drogas e tráfico de armas.
O Departamento de Estado dos Estados Unidos oferecia uma recompensa de US$ 5 milhões por informações que levassem à sua prisão ou condenação. Ele também foi alvo de sanções americanas em julho de 2025, juntamente com outros integrantes da organização.
Em dezembro, promotores federais americanos anunciaram acusações contra 70 membros da gangue, incluindo Guerrero.
O Tren de Aragua surgiu em 2014 na prisão de Tocorón, no estado venezuelano de Aragua, e expandiu suas atividades para diversos países da América Latina.
O grupo é acusado de envolvimento com extorsão, assassinatos por encomenda, tráfico de drogas, tráfico de pessoas, prostituição e garimpo ilegal.
Após a ocupação militar da prisão de Tocorón em setembro de 2023, o governo de Nicolás Maduro afirmou ter “desmantelado totalmente” a organização. Na época, porém, Niño Guerrero já era considerado foragido.
Trump e membros de seu governo têm consistentemente culpado o Tren de Aragua pela violência e pelo tráfico de drogas que atingem algumas cidades americanas.




