Carne no Brasil deve ficar mais cara devido à tarifa da China

Em São Paulo, por exemplo, o preço médio da picanha supera R$ 86.


A carne bovina no Brasil deve permanecer mais cara devido a um conjunto de fatores, com destaque para a nova política tarifária da China sobre as importações do produto brasileiro. O país asiático estabeleceu uma cota anual de 1,106 milhão de toneladas a partir de 2026, com limite acumulado de 2,8 milhões de toneladas até 2028. Acima desse volume, as exportações passam a ser taxadas em 55%, o que reduz fortemente a viabilidade dos embarques excedentes.

Há o risco de o Brasil atingir essa cota antes do fim do ciclo anual. Embora, em tese, isso pudesse aumentar a oferta interna e pressionar os preços para baixo, o efeito tende a ser o contrário. Frigoríficos podem reduzir o ritmo de abate para evitar excesso de oferta e prejuízos, diminuindo a disponibilidade de carne no mercado interno e sustentando preços elevados.

No primeiro trimestre, o Brasil exportou 701,64 mil toneladas de carne bovina, alta de quase 20% em relação ao mesmo período do ano anterior. Desse total, 325,42 mil toneladas foram destinadas à China, contra 279,71 mil no mesmo intervalo de 2025, segundo dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior), órgão do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços).

Em 2025, as exportações brasileiras de carne bovina para a China somaram 1,648 milhão de toneladas, o que evidencia a dependência do mercado chinês e o risco de pressão sobre a nova cota. O setor aponta ainda que o segundo semestre, historicamente o período de maior embarque, pode concentrar o impacto da limitação.

No mercado interno, os preços já refletem essa dinâmica. A arroba do boi gordo atingiu R$ 368,54 em abril, a maior média mensal da série do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), ante R$ 324,51 em janeiro, uma alta de 13,6% em quatro meses. No varejo, cortes como picanha ultrapassam R$ 80/kg e o filé-mignon supera R$ 100/kg em diversos estados brasileiros. Em São Paulo, por exemplo, o preço médio da picanha supera R$ 86 e o filé-mignon chega a R$ 100,84.

A inflação de alimentos também sente os efeitos. Em março, o grupo alimentação e bebidas subiu 1,56%, enquanto as carnes avançaram 1,73%, segundo o IBGE.