Uma pesquisa da AtlasIntel, realizada em março, apontou que 72% dos jovens de 16 a 24 anos reprovam o governo Lula 3, índice mais elevado entre os recortes geracionais. O levantamento foi conduzido entre os dias 18 e 23 de março, com mais de 5 mil eleitores de 16 a 100 anos.
Entre os mais jovens, 65,2% classificam a gestão como ruim ou péssima, 16,4% como regular e apenas 18,4% como boa ou ótima. Em contraste, a maior aprovação do governo petista está entre pessoas de 45 a 59 anos, com quase 60% de avaliação positiva.
Os dados suscitam questionamentos, uma vez que o governo implementou políticas públicas voltadas à juventude, como o programa Pé-de-Meia, além de iniciativas anteriores, como Fies e Prouni. Para compreender o fenômeno, o cientista político José Paulo Ferreira, doutorando pela Universidade de Brasília (UnB), apresentou sua análise.
Segundo ele, há um movimento geracional em curso: “É a juventude se movendo à direita, e isso é, de fato, um fator da geração Z, porque a esquerda é majoritária entre os baby boomers, que são a geração dos anos 40, 50 e 60. Nesse cenário, ela é majoritária. Na geração X — que corresponde aos anos 60, 70 e 80 — começa a haver uma queda, e a geração Z, que é a juventude que vota, tem se movido mais ao centro-direita”.
O especialista relaciona esse movimento a fatores sociais e econômicos, destacando a frustração com as expectativas de melhoria na qualidade de vida e de recuperação econômica. Ele também associa essa percepção ao período que abrange desde o governo Dilma Rousseff (PT) até o presente, marcado, segundo ele, por estagnação.
Outro ponto citado é a limitação de políticas públicas setoriais: “Por exemplo, a medida de escala 6×1 é uma medida que pode repercutir no público que é CLT, mas não no público que está na informalidade. Então, há esse fator da qualidade de vida, uma promessa que não se cumpriu”.
A segurança pública e a percepção de corrupção também influenciam a opinião dos jovens. “Antes, ele estava muito mais atrelado aos escândalos de corrupção envolvendo parlamentares. Desta vez, o caso do Banco Master, em específico, atribui essa desconfiança institucional, que repercute de alguma forma no governo Lula”.
Por fim, Ferreira destaca o papel das redes sociais: “A esquerda percebeu isso e trabalhou nessa direção de entender que o meio de comunicação pelas redes sociais é extremamente importante para dialogar com esse público, com essa demografia. Porém, ainda não consegue ter a mesma inserção e velocidade de comunicação que a extrema-direita”.




