A China tem utilizado embarcações e uma barreira flutuante para reforçar o controle da entrada do Atol de Scarborough, em meio ao aumento das tensões com as Filipinas pela área disputada, segundo imagens de satélite obtidas pela agência Reuters e divulgadas nesta quarta-feira (15).
O atol é um dos pontos marítimos mais sensíveis da Ásia, onde analistas e diplomatas temem que disputas recorrentes evoluam para um conflito armado. As imagens indicam a presença de quatro barcos de pesca, uma embarcação da Marinha ou da Guarda Costeira chinesa e uma nova barreira flutuante. O movimento ocorre enquanto Manila envia navios de sua Guarda Costeira e embarcações civis para apoiar pescadores, frequentemente afastados por patrulhas chinesas de maior porte.
Registros dos dias 10 (sexta-feira) e 11 (sábado) mostram embarcações ancoradas ao longo da entrada do banco de areia e a instalação de uma barreira que se estende por toda a passagem. A empresa Vantor, antiga Maxar Technologies, informou que uma provável embarcação de patrulha chinesa foi vista na entrada na sexta-feira. O Ministério da Defesa chinês não comentou o caso.
Área de pesca tradicionalmente rica, o atol situa-se integralmente na zona econômica exclusiva filipina, embora também seja reivindicado por Pequim. Em 2025, a China aprovou a criação de uma reserva natural nacional na região, medida criticada por autoridades filipinas, que a classificaram como um “claro pretexto para a ocupação”.
Segundo Jay Tarriela, porta-voz da Guarda Costeira filipina, a barreira instalada mede cerca de 352 metros. “Seis embarcações da milícia marítima chinesa foram observadas dentro do banco de areia, enquanto outras três foram avistadas do lado de fora, aparentemente obstruindo a entrada”, disse.
Apesar das disputas, a soberania sobre o atol nunca foi formalmente estabelecida. A China mantém controle de fato desde 2012, após um impasse com Manila. Em 2016, o Tribunal Permanente de Arbitragem decidiu a favor das Filipinas em pontos do litígio, afirmando que o bloqueio chinês viola o direito internacional, embora não tenha definido a soberania sobre a área.




