A Rússia afirmou nesta quinta-feira (29) que um ataque dos Estados Unidos ao Irã pode “levar a consequências muito perigosas” e desestabilizar ainda mais o Oriente Médio, em um contexto de intensificação das tensões entre Washington e Teerã. Autoridades russas também destacaram que ainda existe espaço para negociações e pediram contenção de todas as partes.
Questionado por jornalistas sobre as declarações inflamadas de quarta-feira (28), tanto do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, quanto de membros do governo iraniano, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, pediu “moderação” de ambos os lados para evitar o “uso da força”. Peskov afirmou que “continuamos a apelar a todas as partes para que exerçam contenção e renunciem a qualquer uso da força para resolver as questões” e que “claramente, o potencial para negociações está longe de estar esgotado. Qualquer ação coercitiva só pode gerar caos na região e levar a consequências muito perigosas em termos de desestabilização do sistema de segurança em toda a região”.
Depois de pressionar Teerã por causa das mortes causadas pela repressão a protestos no início do mês, Trump voltou a cobrar a assinatura de um novo acordo nuclear. Peskov disse que o presidente russo, Vladimir Putin, fez uma oferta ao governo americano para estender os limites do tratado nuclear que está expirando, mas que ainda não recebeu resposta. No dia 16, Putin se ofereceu para tentar mediar a crise entre os dois países. A Rússia é aliada histórica do regime dos aiatolás e, em janeiro de 2025, assinou com o Irã um acordo de parceria estratégica de longo prazo que inclui cooperação nas áreas de energia, meio ambiente e questões de defesa e segurança, embora o pacto não constitua uma aliança militar automática.
Segundo a agência de notícias semioficial Tasnim, o Exército iraniano recebeu nesta quinta-feira um lote de 1.000 drones, em meio à crescente militarização da crise. A nova troca de ameaças ocorre após Trump ordenar o envio de uma frota militar, liderada pelo porta-aviões USS Abraham Lincoln, para o Oriente Médio. Na quarta-feira, o presidente americano utilizou uma rede social para afirmar que uma “enorme armada” está a caminho do Irã e para relembrar uma operação militar anterior, em parceria com Israel, na qual três instalações nucleares iranianas teriam sido bombardeadas. Trump declarou que um novo ataque ao país será “muito pior” e que o “tempo está se esgotando”:
“Esperamos que o Irã se sente à mesa de negociações o mais breve possível e chegue a um acordo justo e equitativo – sem armas nucleares – um acordo que seja bom para todas as partes. O tempo está se esgotando, é realmente essencial! Como eu disse ao Irã uma vez, façam um acordo! Eles não fizeram e houve a “Operação Martelo da Meia-Noite”, uma grande destruição do Irã. O próximo ataque será muito pior! Não deixem isso acontecer novamente”.
O Irã respondeu devolvendo as ameaças feitas pelo presidente americano. Em um post na rede social X, o conselheiro sênior do líder supremo Ali Khamenei, Ali Shamkhani, disse que qualquer ataque dos EUA será considerado o início de uma guerra. “Um ataque limitado é uma ilusão. Qualquer ação militar dos EUA, de qualquer origem e em qualquer nível, será considerada o início de uma guerra, e sua resposta será imediata, abrangente e sem precedentes, visando o agressor, o coração de Tel Aviv e todos os apoiadores do agressor”, declarou.
Antes de Shamkhani, outros representantes de Teerã já haviam se pronunciado. O perfil oficial da missão do Irã junto às Nações Unidas afirmou que o país está pronto para o diálogo baseado no respeito mútuo e nos interesses comuns, mas que não deixará de se defender: “O Irã está pronto para o diálogo baseado no respeito mútuo e nos interesses comuns, mas se pressionado, se defenderá e responderá como nunca antes”.




