China não é alternativa aos EUA, diz especialista em geopolítica

A China é uma ditadura. Não há liberdade de expressão nem liberdade econômica.


Em uma análise sobre a geopolítica atual, o coordenador-geral do DSI-USP, grupo de Defesa, Segurança e Inteligência da Universidade de São Paulo (USP), Alberto Pfeifer, afirmou que a China não deve ser vista como uma alternativa à hegemonia dos Estados Unidos.

Segundo o especialista, é ilusória a ideia de que Pequim poderia desafiar Washington, sobretudo em razão da estrutura política do país e das mudanças internas em curso. “A China é uma ditadura. Não há liberdade de expressão nem liberdade econômica”, declarou Pfeifer.

Ele avaliou que, apesar do crescimento econômico chinês — que vem desacelerando a cada ano —, o país atravessa uma transformação interna profunda. Pfeifer apontou o próximo Congresso do Partido Comunista Chinês, previsto para outubro de 2026, como um marco de reconfiguração política e militar.

O pesquisador mencionou, ainda, mudanças recentes na liderança das Forças Armadas chinesas, como a destituição do general Zhang Youxia e de outros dirigentes militares, como indícios de instabilidade no comando do regime. Para ele, esse contexto reduz a viabilidade de uma ação militar contra Taiwan no curto prazo, o que demonstraria certa fragilidade da China. “Isso mostra a inviabilidade de uma ação militar contra Taiwan no curto prazo”, afirmou.

Ao mesmo tempo, Pfeifer observou que a centralização do poder em Xi Jinping segue reforçando a liderança do dirigente no plano interno.

O especialista também comentou um discurso recente de Donald Trump, no qual o presidente norte-americano criticou o multilateralismo e sustentou que o cenário internacional é marcado pela “realpolitik” e pela primazia de interesses nacionais.

“‘Os Estados Unidos são a hegemonia dominante’, afirmou Trump”, citou Pfeifer, ao argumentar que, apesar de propostas defendidas por algumas lideranças internacionais, Washington permanece como a principal potência global.

“A China não é uma alternativa. O futuro dos países ocidentais está atrelado a negociar com os Estados Unidos”, concluiu.