Porta-aviões dos EUA chega ao Oriente Médio para possível ataque ao Irã

O porta-aviões e os três contratorpedeiros avançam em direção ao Irã.


Um porta-aviões dos Estados Unidos — o USS Abraham Lincoln — e vários outros navios de guerra americanos chegaram ao Oriente Médio nesta segunda-feira (26), segundo autoridades de defesa dos EUA ouvidas pelo jornal The Washington Post, enquanto o presidente americano, Donald Trump, e seus assessores avaliam possíveis ataques militares contra o Irã, após o recente assassinato de milhares de civis iranianos durante protestos no país.

O grupo de ataque do porta-aviões entrou na área de operações do Comando Central dos Estados Unidos, informou um oficial americano, que falou sob condição de anonimato ao Washington Post para tratar de operações em andamento. O Comando Central americano confirmou posteriormente a movimentação nas redes sociais, afirmando que o navio estava no Oceano Índico e “atualmente em missão no Oriente Médio para promover a segurança e a estabilidade regional”.

O porta-aviões e os três contratorpedeiros que o escoltam ainda se encontravam a uma distância considerável para a realização de ataques diretos ao Irã, mas a expectativa é que se aproximem nos próximos dias, com deslocamento para o Golfo de Omã ou para o norte do Mar Arábico.

O reforço da presença militar dos Estados Unidos já era esperado, após autoridades do governo Trump terem redirecionado, neste mês, o porta-aviões e outros navios de guerra que o acompanhavam do Mar da China Meridional para a região.

Trump chegou a considerar a aprovação de ataques contra o Irã no início do mês, mas recuou da decisão em 14 de janeiro, depois que assessores e aliados no Oriente Médio alertaram para as dificuldades de conter eventuais contra-ataques iranianos sem maior capacidade militar na área. Um funcionário atual e um ex-funcionário do governo americano afirmaram ao Washington Post que recursos militares adicionais estão sendo enviados para a região. Segundo o funcionário em exercício, nem todos chegarão em menos de uma semana, ampliando o leque de opções disponíveis a Trump. O ex-funcionário avaliou que as deliberações podem se estender e que ainda não está claro se haverá um ataque.

Questionado sobre contatos recentes com Teerã, um funcionário americano declarou: “Estamos abertos a negócios. Se eles quiserem entrar em contato conosco e souberem quais são os termos, então conversaremos.” “Acho que eles conhecem os termos”, acrescentou. O governo dos EUA exige que o Irã encerre o enriquecimento de urânio, reduza seu programa de mísseis e interrompa o apoio a milícias e grupos aliados no Oriente Médio.

O Irã colocou suas forças em “alerta máximo” diante do aumento da presença militar americana, segundo um alto funcionário iraniano. “Este reforço militar — esperamos que não seja algo que leve a um confronto real —, mas estamos preparados para o pior cenário possível”, afirmou.

Os Emirados Árabes Unidos, aliados dos Estados Unidos no Oriente Médio, reiteraram preocupação e declararam que não permitirão o uso de seu espaço aéreo, território ou águas em ações militares contra o Irã, defendendo uma solução diplomática para as “crises atuais”.