COI rejeita banir EUA dos Jogos Olímpicos após operação militar na Venezuela

A entidade descartou qualquer tipo de sanção contra os EUA após a operação.


O Comitê Olímpico Internacional (COI) respondeu a apelos para excluir os Estados Unidos e seus atletas dos próximos Jogos Olímpicos de Inverno, que acontecerão na Itália de 6 a 22 de fevereiro, após a recente operação militar do país na Venezuela. A entidade descartou qualquer tipo de sanção contra os EUA em razão da operação que resultou na derrubada e captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro.

“Como organização global, o COI tem que gerir uma realidade complexa. O COI tem que lidar com o contexto político atual e com os últimos acontecimentos no mundo”, afirmou o comitê em comunicado à emissora britânica BBC. “A capacidade de reunir atletas, independentemente de sua origem, é fundamental para o futuro de um esporte verdadeiramente global e baseado em valores, que pode dar esperança ao mundo.”

“Por essa razão, o COI não pode se envolver diretamente em questões políticas ou conflitos entre países, pois estes estão fora de nossa alçada. Isso é domínio da política.”

Os atletas russos estão proibidos de competir nos Jogos Olímpicos desde a invasão russa da Ucrânia, em 2022. A Rússia lançou a ofensiva apenas quatro dias após a cerimônia de encerramento dos Jogos Olímpicos de Inverno de Pequim, em fevereiro daquele ano, violando a cláusula de trégua olímpica prevista na Carta do COI. Além disso, Moscou colocou atletas ucranianos sob o controle do Comitê Olímpico Russo.

A outra diferença entre os Estados Unidos e a Rússia é que Washington não está em guerra contra a Venezuela: ocorreu apenas uma operação militar, e os EUA não invadiram território venezuelano.

Segundo o COI, o ataque dos Estados Unidos à Venezuela não violou nenhuma dessas normas. A operação foi elogiada por diversos atores da comunidade internacional, em razão da captura do ditador Maduro e da queda de seu regime.

A iniciativa militar norte-americana, realizada em 3 de janeiro, ocorreu após meses de pressão sobre o regime da Venezuela, período em que o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, realizou mais de 20 incursões em águas latino-americanas com foco em supostos traficantes de drogas, como parte de uma estratégia mais ampla para conter a entrada de entorpecentes nos Estados Unidos.

O COI também enfrentou pedidos para excluir Israel das Olimpíadas em razão da operação na Faixa de Gaza. As solicitações foram rejeitadas, uma vez que, segundo o comitê, o Comitê Olímpico Nacional de Israel cumpriu a Carta Olímpica.

Em contraste, a Indonésia pode sofrer sanções por violar a Carta Olímpica, embora isso não implique necessariamente a exclusão de seus atletas das competições. O COI já havia condenado o país por negar vistos a atletas israelenses, classificando a medida como uma violação da Carta Olímpica. Como consequência, todas as discussões sobre a Indonésia sediar uma futura Olimpíada foram encerradas, e a entidade recomendou que organizadores internacionais não realizem grandes eventos esportivos no país.

O governo indonésio alegou preocupações de segurança para justificar a negativa dos vistos, citando possíveis ameaças aos atletas israelenses e riscos à segurança pública. A delegação de Israel, no entanto, afirmou que sua própria equipe de segurança avaliou a situação como segura e autorizou a viagem dos atletas.