Powell diz que o Fed foi intimado pela Justiça dos EUA

Após o episódio, o ouro subiu para um recorde de US$ 4.600,33 por onça.


O presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, afirmou que o banco central dos Estados Unidos foi alvo de intimações de um grande júri emitidas pelo Departamento de Justiça americano que, segundo ele, podem resultar em uma acusação criminal relacionada ao depoimento prestado ao Congresso dos EUA em junho, sobre as reformas em andamento na sede do Fed.

Em comunicado divulgado na noite de domingo (11), Powell rejeitou a avaliação de que a iniciativa tenha sido motivada por seu testemunho ou pelas obras. “Essas são desculpas”, disse Powell. “A ameaça de acusações criminais é consequência de o Federal Reserve definir os juros com base na nossa melhor avaliação do que atende ao interesse público, em vez de seguir as preferências do presidente [Trump].”

Segundo Powell, “a questão central é se o Fed poderá continuar definindo as taxas de juros com base em evidências e nas condições econômicas — ou se, em vez disso, a política monetária será direcionada por pressão política ou intimidação”.

A medida, considerada sem precedentes, amplia a disputa de longa data entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o comando do banco central norte-americano. Trump tem defendido cortes agressivos nos juros e tentou demitir outro diretor do Federal Reserve — iniciativa que, segundo Powell, está sob análise do Judiciário do país.

Powell afirmou que a possível acusação “deve ser vista no contexto mais amplo das ameaças e da pressão contínua exercidas pelo governo”. Ele acrescentou que pretende continuar exercendo suas funções “com integridade e compromisso com o serviço ao povo americano”.

Após a divulgação do episódio, o dólar registrava queda acentuada frente ao euro e ao franco suíço nesta segunda-feira (12), enquanto recuava levemente em relação ao iene japonês, em meio a temores de que a medida comprometa o status de porto seguro da moeda norte-americana. O índice do dólar, que mede a força da divisa em relação a uma cesta de seis moedas, cedia 0,37%, para 98,759, interrompendo uma sequência de cinco dias de valorização.

O ouro avançava para um recorde de US$ 4.600,33 por onça, após Powell divulgar um vídeo em que defendeu a independência do banco central. O franco suíço subia 0,52% ante o dólar, enquanto o euro avançava 0,44%, para 1,1688, no maior ganho diário desde 10 de dezembro, em meio à venda de ativos norte-americanos provocada pelo cenário político nos EUA.