EUA de fato podem atacar o Irã em meio à repressão no país

Ao menos 466 pessoas foram mortas desde o início dos protestos no Irã.


O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, avalia uma série de possíveis opções militares em relação ao Irã após a eclosão de protestos violentos em diversas regiões do país, segundo relataram dois funcionários do governo americano à emissora norte-americana CNN.

De acordo com as fontes, Trump considera cumprir ameaças recentes de atacar o Irã caso o regime continue a utilizar força letal contra a população iraniana. Nos últimos dias, o presidente norte-americano teria sido informado sobre diferentes cenários de intervenção, em meio ao agravamento da violência, que já resultou em centenas de mortes e milhares de prisões no país.

Ainda segundo as autoridades ouvidas pela CNN, parte das discussões envolve alternativas que não preveem o uso direto da força militar dos Estados Unidos. Apesar disso, Trump ainda não tomou uma decisão final sobre uma eventual intervenção, embora esteja considerando seriamente a possibilidade de agir, diante do aumento contínuo do número de vítimas fatais no país.

A agência de notícias HRANA (Human Rights Activists News Agency), sediada nos Estados Unidos, informou, neste domingo (11), que ao menos 466 pessoas foram mortas desde o início dos protestos, que se espalharam pelas 31 províncias do Irã há cerca de duas semanas. No entanto, permanece incerto se o número divulgado reflete plenamente a dimensão das vítimas, em razão do bloqueio nacional do acesso à internet e às linhas telefônicas imposto pelas autoridades iranianas.

Em publicação nas redes sociais no sábado (10), Trump afirmou: “O Irã está vislumbrando a LIBERDADE, talvez como nunca antes. Os EUA estão prontos para ajudar!!!”.

Já segundo o jornal Wall Street Journal (WSJ), autoridades dos Estados Unidos também realizaram discussões preliminares sobre um possível ataque ao Irã, caso Trump decida cumprir a ameaça de intervir em resposta às mortes de manifestantes. As fontes ressaltaram, no entanto, que as conversas fazem parte de um planejamento inicial e que não há indícios de um ataque iminente.

De acordo com o jornal, uma das opções analisadas seria um ataque aéreo em larga escala contra múltiplos alvos militares iranianos. Ainda assim, não haveria consenso dentro do governo americano sobre qual ação adotar, e nenhuma movimentação de tropas ou equipamentos militares teria sido iniciada em preparação para uma ofensiva, segundo outra fonte ouvida pelo Wall Street Journal.