Atos antirregime aumentam no Irã; Trump diz que EUA podem intervir

Trump declarou que Washington acompanha de perto a situação no Irã.


Em meio à crescente onda de manifestações no Irã, o príncipe herdeiro exilado do país, Reza Pahlavi, convocou uma greve nacional de dois dias em todo o Irã, que já registra mais de dez dias consecutivos de protestos antirregime. Em um pronunciamento divulgado em vídeo na plataforma X, Pahlavi dirigiu-se aos manifestantes e conclamou “trabalhadores e funcionários de setores-chave da economia — especialmente transporte, petróleo e gás e energia — a iniciarem uma greve nacional” a partir deste sábado (10), primeiro dia útil da semana no Irã.

O pronunciamento ocorreu em meio a um bloqueio de internet imposto pelo regime iraniano, adotado durante a intensificação das manifestações em diversas regiões do país. No vídeo, Pahlavi também pediu mobilização popular imediata. “Peço também a todos vocês que venham às ruas hoje e amanhã, sábado e domingo (10 e 11 de janeiro)… que venham às ruas com bandeiras, imagens e símbolos nacionais e que reivindiquem os espaços públicos como seus”, afirmou. Segundo ele, “o objetivo é se preparar para tomar os centros das cidades e mantê-los sob seu controle”, acrescentando que os protestos de sexta-feira (9) enviaram “uma mensagem poderosa” às lideranças iranianas.

Pahlavi vive nos Estados Unidos desde a Revolução Islâmica de 1979, que pôs fim aos 40 anos de reinado de seu pai, Mohammad Reza Pahlavi. À época, ele tinha 16 anos e era o herdeiro direto da monarquia iraniana.

Também na sexta-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que Washington acompanha de perto a situação no Irã e voltou a alertar as autoridades do país contra o uso de violência. “E, mais uma vez, digo aos líderes iranianos: é melhor vocês não começarem a atirar, porque nós também começaremos”, disse durante uma reunião com executivos do setor petrolífero na Casa Branca.

Trump ressaltou que isso não implica o envio de tropas ao país. “Se eles começarem a matar pessoas como fizeram no passado, nós nos envolveremos. Isso não significa tropas em solo, mas significa atingi-los com muita, muita força onde dói”, afirmou. Sobre o cenário interno, acrescentou: “O Irã está em grandes apuros” e disse que “parece-me que as pessoas estão tomando o controle de certas cidades que ninguém imaginava ser possível há algumas semanas”. O presidente norte-americano não especificou quais cidades, e não há confirmação independente de que manifestantes tenham assumido o controle de centros urbanos no país.