Trump propõe elevar orçamento militar dos EUA para US$ 1,5 trilhão

Os gastos poderiam se aproximar dos níveis reais da Guerra Fria.


O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, propôs na quarta-feira (7) um aumento superior a 50% nos gastos militares americanos para o próximo ciclo orçamentário, elevando o orçamento de defesa de 2027 para US$ 1,5 trilhão. A iniciativa ocorre em meio à intensificação da projeção de poder militar dos EUA em diferentes regiões do mundo.

“Nosso orçamento militar para o ano de 2027 não deve ser de US$ 1 trilhão, mas sim de US$ 1,5 trilhão”, escreveu Trump nas redes sociais. “Isso nos permitirá construir o ‘Exército dos Sonhos’ ao qual temos direito há muito tempo e, mais importante, que nos manterá SEGUROS e PROTEGIDOS, independentemente do inimigo.”

O pedido representa um acréscimo de aproximadamente US$ 600 bilhões em relação ao patamar atual e surge em um contexto de demonstrações recentes de força militar dos EUA. Na última semana, Trump afirmou que pretende explorar as reservas de petróleo da Venezuela sob a ameaça de um bloqueio militar e voltou a mencionar a possibilidade de anexar à força a Groenlândia, território semiautônomo da Dinamarca, país aliado na OTAN. No anúncio, o presidente norte-americano descreveu o cenário internacional como “tempos muito perigosos e conturbados”.

O comunicado não detalha quais programas de armamentos ou quais ramos das Forças Armadas seriam priorizados. Ainda assim, declarações recentes de Trump e de seus assessores indicam uma visão de política externa na qual os Estados Unidos poderiam derrubar regimes não democráticos e se apropriar de territórios e recursos estrangeiros, desde que tais ações fossem consideradas de interesse nacional.

Trump justificou o aumento alegando que o custo poderia ser integralmente coberto pela arrecadação de tarifas alfandegárias. Em 2025, segundo estimativas oficiais, os EUA arrecadaram mais de US$ 200 bilhões com tarifas. O presidente americano, porém, já prometeu devolver esses recursos a grupos afetados, como agricultores, e à população em geral, por meio de cheques de reembolso de US$ 2.000. Um grupo apartidário estima que esses pagamentos custariam cerca de US$ 600 bilhões por ano.

No ano passado, Trump havia proposto um orçamento militar próximo de US$ 1 trilhão, considerado insuficiente por parlamentares republicanos. Ainda assim, Trump afirmou que teria limitado o aumento a cerca de US$ 100 bilhões, não fosse a arrecadação tarifária, reiterando também a promessa de distribuir dividendos a “patriotas de renda moderada”.

Em uma tentativa de conter críticas ao fortalecimento do complexo militar-industrial, Trump declarou que buscaria limitar a remuneração de executivos de empresas de defesa contratadas pelo governo a US$ 5 milhões anuais, além de proibir recompras de ações e o pagamento de dividendos.

Em termos históricos, o aumento proposto supera todo o orçamento de defesa apresentado pelo governo Obama em 2016, de US$ 582,7 bilhões. Dados do Instituto Internacional de Pesquisa da Paz de Estocolmo indicam que um orçamento de US$ 1,5 trilhão poderia se aproximar, em termos reais, dos níveis de gastos militares dos Estados Unidos durante a Guerra Fria. Atualmente, a China possui o segundo maior orçamento militar do mundo, com cerca de US$ 245 bilhões, enquanto a Rússia declara gastos superiores a US$ 160 bilhões; Moscou mantém sua guerra na Ucrânia.