O Banco Central do Paraguai determinou a intervenção do Ueno Bank, uma das principais instituições financeiras do país, após constatar uma grave deterioração de seus indicadores de solvência. Anunciada na terça-feira (3), a medida provocou a suspensão imediata dos serviços bancários e deixou aproximadamente três milhões de clientes sem acesso às próprias contas.
A decisão foi aprovada por unanimidade pela diretoria do Banco Central, após o índice de solvência da instituição cair para menos da metade do mínimo exigido pela legislação paraguaia. Com a abertura do processo de resolução bancária, os ativos e passivos do banco foram bloqueados enquanto as autoridades avaliam sua situação financeira e definem como serão honrados os compromissos com os depositantes.
Segundo dados da própria instituição, o Ueno possui cerca de três milhões de clientes, o equivalente a aproximadamente 60% da população adulta do Paraguai. O banco também administra mais de US$ 800 milhões em recursos públicos, dos quais cerca de US$ 380 milhões estão vinculados ao Instituto de Previdência Social, responsável pelo sistema estatal de aposentadorias.
O Fundo de Garantia de Depósitos do Paraguai estabelece uma cobertura de até 228,3 milhões de guaranis por depositante, o equivalente a aproximadamente R$ 211 mil. Clientes com valores superiores a esse limite precisarão aguardar a conclusão do levantamento patrimonial para conhecer o montante que poderá ser recuperado.
A intervenção também provocou repercussões políticas. O presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, que anteriormente havia comandado o Ueno Bank, renunciou ao cargo após solicitação do presidente Santiago Peña. Além disso, a Justiça determinou a prisão de dirigentes ligados à instituição, entre eles Miguel Vázquez, presidente do Grupo Vázquez.
O caso ganhou dimensão política em razão das antigas relações empresariais entre Peña e o grupo controlador do banco. A oposição também passou a discutir medidas contra o presidente paraguaio.
O Banco Central afirmou que o episódio é isolado e não representa uma crise generalizada do sistema financeiro paraguaio. Segundo as autoridades, as prioridades são proteger os pequenos depositantes e investigar possíveis irregularidades.




