Os Estados Unidos possuem armas posicionadas em órbita e afirmam que poderão utilizá-las para defender suas forças militares, declarou na segunda-feira (14) o secretário da Força Aérea dos Estados Unidos, Troy Meink. A declaração representa o primeiro reconhecimento público de que o país dispõe de capacidades ofensivas no espaço.
“Hoje continuamos garantindo que estamos preparados para enfrentar os desafios de ameaças em evolução onde quer que elas existam. É por isso que os Estados Unidos agora possuem armas de controle espacial em órbita, capazes de defender as forças conjuntas contra ações hostis de adversários”, afirmou Meink durante a Conferência de Ar, Espaço e Cibernética, em National Harbor, no estado de Maryland.
O secretário não revelou detalhes sobre os armamentos nem informou quando foram colocados em órbita. Questionado posteriormente, recusou-se a fornecer informações adicionais.
Para Clayton Swope, vice-diretor do Aerospace Security Project, do Center for Strategic and International Studies (CSIS, na sigla em inglês), a divulgação pode ter como objetivo dissuadir adversários, mas a falta de informações sobre as capacidades das armas pode limitar esse efeito.
“É significativo porque não é algo sobre o qual tenhamos falado dessa maneira”, afirmou Swope, que trabalhou por mais de uma década na CIA, a agência de inteligência dos EUA. Segundo ele, para que a divulgação funcione como elemento de dissuasão, os adversários precisam compreender o potencial destrutivo do armamento e quais ações os EUA pretendem impedir.
A declaração ocorre em meio ao aumento da militarização do espaço e à expansão das capacidades espaciais da China e da Rússia, países rivais de Washington. Segundo a Força Espacial dos EUA, a China desenvolve capacidades espaciais e antiespaciais como parte de sua estratégia de modernização militar, enquanto a Rússia considera o espaço um domínio de guerra.
O Tratado do Espaço Sideral, de 1967, proíbe a colocação em órbita de armas nucleares e outras armas de destruição em massa, mas não proíbe expressamente armas convencionais no espaço ou ataques realizados a partir da Terra contra objetos espaciais.
Entre as possibilidades estão satélites capazes de interferir em comunicações, sistemas que possam sair de órbita para atingir equipamentos terrestres e armas antissatélite, conhecidas como ASAT. Esse último tipo pode ser utilizado para localizar e destruir satélites inimigos.
EUA, China e Rússia já realizaram testes com tecnologias antissatélite. A destruição de satélites em órbita, porém, é considerada particularmente arriscada devido à formação de detritos espaciais, que podem permanecer em órbita por anos e provocar colisões com outros satélites.
Em 2022, os EUA se comprometeram a não realizar novos testes de armas ASAT de ascensão direta, lançadas da Terra contra satélites. O compromisso, contudo, não impede necessariamente o desenvolvimento ou a utilização de sistemas coorbitais, que podem se aproximar de outros satélites diretamente no espaço.
“É fundamental que mantenhamos nossa liderança não apenas no ar, mas também no espaço. Por isso, tivemos de tomar medidas para garantir que, quando formos ameaçados, possamos lidar com isso”, disse Meink.
A declaração também ocorre enquanto o governo de Donald Trump avança com planos para ampliar as capacidades de defesa espacial e antimísseis dos EUA. Em dezembro do ano passado, Trump assinou uma ordem executiva que classificou a superioridade americana no espaço como uma questão de “visão nacional e força de vontade”.
O documento também destacou o desenvolvimento de tecnologias de defesa contra mísseis e a capacidade de responder a ameaças, incluindo eventual colocação de armas nucleares no espaço.
Meink afirmou ainda que um programa americano de interceptadores espaciais avançou de um contrato inicial para equipamentos prontos para voo em menos de um ano, sem fornecer detalhes adicionais.




