Vinte e cinco anos após os ataques terroristas mais mortais em solo americano, os EUA relembraram, nesta sexta-feira (11), as quase 3 mil pessoas mortas quando quatro aviões sequestrados por terroristas atingiram as Torres Gêmeas do World Trade Center, em Nova York, o Pentágono e um campo no estado da Pensilvânia. As cerimônias também marcaram as consequências dos atentados, que ainda são sentidas no país.
Em Nova York, familiares das vítimas, muitos carregando fotografias de seus entes queridos, participaram da cerimônia no Marco Zero, em Lower Manhattan, ao lado do vice-presidente JD Vance e de quatro ex-presidentes dos EUA — Joe Biden, George W. Bush, Barack Obama e Bill Clinton. O evento começou às 8h46, horário local, às 9h46 em Brasília, com um minuto de silêncio em memória do momento em que o voo 11 da American Airlines atingiu a Torre Norte do World Trade Center.
Em seguida, familiares leram os nomes das 2.977 pessoas mortas nos ataques de 2001, além das seis vítimas do atentado ao World Trade Center em 1993. A leitura se estendeu por horas. Entre os participantes estavam pessoas jovens demais para terem conhecido os parentes mortos nos atentados.

Outros momentos de silêncio marcaram os horários em que os demais aviões atingiram seus alvos e as torres desabaram. Pela primeira vez, um sétimo momento foi dedicado às milhares de pessoas que morreram posteriormente em decorrência de doenças relacionadas à exposição à poeira e a outras substâncias tóxicas liberadas após os ataques.
Gregory Carafello participou da cerimônia em memória do amigo James Martello, funcionário da empresa financeira Cantor Fitzgerald, que perdeu mais de 650 empregados nos ataques. Carafello estava no 18º andar da Torre Sul, mas conseguiu deixar o prédio. “Essas pessoas não eram guerreiros. Eram pessoas como você e eu, indo trabalhar”, afirmou.
No Pentágono, em Arlington, na Virgínia, onde o voo 77 da American Airlines atingiu o edifício e matou 184 pessoas, o presidente Donald Trump relembrou algumas das vítimas. O presidente e o secretário de Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, também defenderam a guerra contra o Irã, afirmando que a ofensiva é necessária para impedir que Teerã desenvolva armas nucleares.
“Saudamos nossos socorristas e policiais, e os amamos”, disse Trump. O presidente também afirmou que os militares norte-americanos trabalham para impedir que o Irã obtenha uma arma nuclear.
Em Shanksville, no estado da Pensilvânia, familiares e autoridades participaram de uma cerimônia no local onde o voo 93 da United Airlines caiu após passageiros reagirem contra os sequestradores. A aeronave tinha a capital do país, Washington, como destino.
Os atentados de 11 de setembro influenciaram gerações de americanos e alteraram a política externa e interna dos EUA. Os ataques deram início à chamada “guerra ao terror”, que levou às invasões do Afeganistão e do Iraque.
Os efeitos também atingiram comunidades muçulmanas e imigrantes de países de maioria muçulmana, que passaram a enfrentar aumento de preconceito e crimes de ódio. O prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, primeiro muçulmano a ocupar o cargo, rejeitou pedidos de republicanos para que não participasse da cerimônia.
As consequências dos ataques também permanecem entre socorristas e moradores expostos às toxinas liberadas após a destruição do World Trade Center. O Corpo de Bombeiros de Nova York perdeu 343 integrantes em 11 de setembro. Desde então, mais de 600 bombeiros morreram de doenças relacionadas aos atentados, segundo dados do departamento. Somente em 2026, 26 integrantes morreram.




