A dívida nacional dos Estados Unidos ultrapassou US$ 40 trilhões na quarta-feira (19), estabelecendo um novo recorde. O marco ocorre em meio ao aumento dos gastos federais com defesa, programas sociais, como a Previdência Social e o Medicare, e o pagamento de juros sobre a dívida.
O valor foi atingido apenas cinco meses depois de a dívida chegar a US$ 39 trilhões, em março. Em outubro de 2025, o montante havia alcançado US$ 38 trilhões.
O novo recorde evidencia os desafios fiscais enfrentados pelo governo do presidente norte-americano Donald Trump, que busca conciliar o aumento dos gastos com defesa, medidas para reduzir os preços de combustíveis e alimentos e o controle das despesas públicas.
Segundo Kush Desai, porta-voz da Casa Branca, a administração Trump tem priorizado a redução de desperdícios, fraudes e gastos indevidos, além de medidas para acelerar o crescimento econômico e melhorar a relação entre a dívida e o Produto Interno Bruto (PIB).
Especialistas, contudo, alertam que o aumento da dívida já afeta os americanos ao elevar os custos de empréstimos, como financiamentos imobiliários e de veículos. A alta dos juros também pode reduzir os recursos disponíveis para investimentos empresariais e pressionar os preços de bens e serviços.
Michael A. Peterson, CEO da Fundação Peter G. Peterson, afirmou que os legisladores precisam adotar medidas para colocar as contas públicas em uma trajetória sustentável. Margaret Spellings, presidente e CEO do Centro de Políticas Bipartidárias, classificou a situação fiscal como insustentável e alertou para os riscos de choques econômicos ou geopolíticos.
O crescimento da dívida ocorreu ao longo de diferentes administrações presidenciais, com destaque para os elevados gastos adotados durante a pandemia de Covid-19, nos governos de Trump e Joe Biden, para estabilizar a economia e apoiar a recuperação.
A aprovação de novos gastos após a sanção de uma lei republicana de cortes de impostos e despesas também contribuiu para ampliar as preocupações fiscais.
Os EUA possuem um limite legal para o endividamento federal, definido pelo Congresso. O Centro de Políticas Bipartidárias estima que o país possa atingir o teto de US$ 41,1 trilhões entre o fim do inverno e meados do verão de 2027, o que exigiria uma nova decisão do Congresso sobre o limite.
Segundo análise recente da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), a situação fiscal dos Estados Unidos é a pior entre os países desenvolvidos.




