Irã avalia atacar alvos militares dos EUA na Europa, diz FT

O regime também avalia atacar cabos submarinos em Ormuz.


O Irã avalia a possibilidade de atacar alvos militares dos Estados Unidos na Europa caso haja uma nova escalada da guerra, informou, nesta quarta-feira (19), o jornal britânico Financial Times (FT), com base em relatos de duas fontes ligadas ao regime iraniano.

Segundo o periódico, Teerã considera possíveis alvos em países do sudeste europeu, como Bulgária e Chipre. Entre eles está a base aérea búlgara de Bezmer, utilizada, desde o mês passado, por aeronaves do Exército dos EUA para reabastecimento.

Outra instalação considerada como possível alvo é uma base aérea britânica no Chipre, que teria sido atingida por um drone iraniano em março.

Ainda de acordo com o FT, o regime iraniano também avalia atacar cabos submarinos de fibra óptica no Estreito de Ormuz. Segundo as fontes, eventuais ações teriam como objetivo ampliar os riscos e as consequências do conflito para os Estados Unidos.

A revelação ocorre em meio ao aumento das tensões entre Washington e Teerã. Uma autoridade da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) afirmou à agência Reuters que a aliança está preparada para enfrentar qualquer ameaça e fará o necessário para defender seus integrantes.

“Nossa postura de dissuasão e defesa é forte e eficaz”, declarou a autoridade, citando interceptações realizadas pela OTAN de mísseis balísticos iranianos que seguiam em direção à Turquia.

A Europa também elevou o nível de alerta após, em março, dois mísseis lançados pelo Irã terem sido direcionados à base militar dos Estados Unidos em Diego Garcia, no Oceano Índico. A distância de aproximadamente 4 mil quilômetros chamou a atenção para o alcance dos projéteis iranianos, considerado suficiente para atingir diversas capitais europeias.

As tensões aumentaram após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçar declarar o Estreito de Ormuz como território norte-americano e bombardear Omã caso o país chegasse a um acordo com o Irã sobre o controle da navegação comercial na região.

O governo Trump também voltou a ameaçar ampliar a pressão econômica sobre Teerã e impor um isolamento ao país “como o mundo nunca viu antes”.

O Irã, por sua vez, afirmou estar próximo de concluir um acordo com Omã e elevou o tom nesta semana ao ameaçar adotar uma postura mais ofensiva caso as negociações com Washington fracassem.

Uma autoridade iraniana afirmou à Reuters que Teerã intensificaria as tensões no Estreito de Ormuz e em outras áreas da região se a diplomacia com os Estados Unidos não avançasse.

Entre as exigências apresentadas pelo Irã estão o fim do bloqueio norte-americano aos portos iranianos, a suspensão das sanções sobre o petróleo, a liberação de ativos congelados e o encerramento das ameaças e operações militares contra o país.

Trump afirmou, na terça-feira (18), que não havia negociações em andamento com o regime iraniano.


Assine a nossa newsletter!

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo