Senado dos EUA aprova novo embaixador americano no Brasil

Falta o aval formal do governo brasileiro para que ele assuma o cargo.


O Senado dos Estados Unidos aprovou, nesta sexta-feira (7), a indicação de Daniel Perez para o cargo de embaixador dos Estados Unidos no Brasil. A nomeação recebeu 51 votos favoráveis e 47 contrários.

Com a aprovação pelo Senado, Perez conclui a última etapa do processo de nomeação nos Estados Unidos. Para assumir oficialmente o posto em Brasília, no entanto, ele ainda depende da concessão do agrément pelo governo brasileiro, autorização necessária para que um embaixador estrangeiro exerça suas funções no país.

Perez foi indicado pelo presidente norte-americano Donald Trump, em junho, para ocupar a embaixada, que está sem titular desde o retorno do republicano à Casa Branca, em janeiro de 2025.

A indicação gerou divergências entre os governos brasileiro e americano. O Itamaraty demonstrou contrariedade após a Casa Branca tornar público o nome de Perez antes da conclusão das consultas diplomáticas reservadas que normalmente antecedem a apresentação formal de um candidato a embaixador ao país anfitrião.

A tensão aumentou depois que Washington passou a pressionar Brasília pela concessão do agrément. O governo americano alegou demora na resposta brasileira, enquanto o Itamaraty afirmou que o pedido permanecia em análise, de acordo com os procedimentos diplomáticos habituais.

O impasse contribuiu para uma nova escalada nas relações entre os dois países. Na terça-feira (4), o Departamento de Estado dos EUA anunciou a revogação do visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. Segundo o governo americano, a medida foi uma resposta à demora na autorização para a nomeação de Perez e poderia ser revista caso o Brasil concedesse o agrément.

A decisão ocorreu dez dias após o Itamaraty negar vistos a dois diplomatas americanos. Eles foram apontados pelo jornal The Washington Post como integrantes de uma estratégia para questionar o sistema eleitoral brasileiro, acusação negada pelo governo dos Estados Unidos.

O governo brasileiro classificou as medidas americanas como parte de uma escalada de “ações hostis” e rejeitou a justificativa apresentada por Washington. Integrantes da diplomacia brasileira também criticaram o uso da indicação de Perez como instrumento de pressão sobre Brasília.