A Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) afirmou que trabalha para fornecer à Ucrânia os sistemas de defesa aérea de que o país “precisa urgentemente”, após Kiev não conseguir interceptar nenhum dos 24 mísseis balísticos lançados pela Rússia durante um ataque na madrugada de quarta-feira (5). A declaração foi feita pelo secretário-geral da aliança, Mark Rutte, em meio aos alertas do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, sobre o aumento da produção de mísseis russos antes do inverno.
Durante uma reunião do Conselho de Segurança e Defesa Nacional da Ucrânia sobre a preparação para o inverno, Zelensky afirmou que a redução no fornecimento de mísseis de defesa aérea por parte dos aliados ocidentais pode ter como objetivo pressionar Kiev a fazer concessões nas negociações de paz com Moscou.
“O importante é eliminar toda a burocracia e tomar as decisões políticas necessárias. Todos os dias, a vida das pessoas na Ucrânia depende da determinação de nossos parceiros na Europa e nos Estados Unidos”, declarou o presidente ucraniano.
Segundo a Força Aérea Ucraniana, a Rússia lançou 24 mísseis balísticos e 115 drones durante o ataque. As defesas ucranianas conseguiram abater 98 drones, mas não interceptaram nenhum dos mísseis. O bombardeio deixou ao menos 17 mortos.
Zelensky afirmou ainda que, no primeiro semestre de 2026, o fornecimento de mísseis de defesa aérea pelos aliados caiu para um terço do volume registrado em 2025. Ele também alertou que Moscou pretende ampliar significativamente sua produção de mísseis balísticos antes do inverno, período em que são esperados novos ataques à infraestrutura energética ucraniana.
Serhii Beskrestnov, assessor da Presidência da Ucrânia para tecnologia de defesa, estimou que a Rússia poderá lançar até 100 mísseis balísticos por mês contra centros logísticos, instalações industriais, armazéns de alimentos e depósitos. Segundo ele, o conflito entrou em uma nova fase de desgaste.
A Ucrânia enfrenta escassez de interceptores Patriot, de fabricação americana, considerados os únicos sistemas em operação no país capazes de neutralizar mísseis russos como Iskander-M, S-400 e Zircon. De acordo com Kiev, a situação se agravou após a guerra no Oriente Médio, que elevou o consumo desses armamentos pelos aliados ocidentais, reduzindo a disponibilidade de novos envios para as forças ucranianas.




