O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a defender, nesta terça-feira (22), a soberania dos países e o princípio da não interferência em assuntos internos durante o discurso de abertura do debate geral da 81ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York.
“Esta Assembleia […] agora deve se debruçar sobre temas determinantes para o futuro da humanidade. Somos chamados a optar entre multilateralismo ou unilateralismo, democracia ou extremismo, soberania ou subordinação”, afirmou Lula. Veja o vídeo aqui.
Segundo o petista, a proximidade geográfica com os Estados Unidos, “a maior potência militar do mundo”, é inevitável, mas o Brasil “não cabe no quintal de ninguém” e deve buscar parceiros com agendas voltadas ao desenvolvimento.
“Diferenças ideológicas não devem ser obstáculo para maior integração entre vizinhos. A democracia está novamente em xeque. Voltamos a presenciar a ingerência externa em processos eleitorais”, declarou.
Lula também afirmou que o Brasil não permitirá interferências internas ou externas no processo democrático. “Não permitiremos que os inimigos da democracia, internos e externos, atentem contra a vontade popular. A democracia brasileira pertence aos brasileiros. O Brasil continuará sendo um país soberano.”
As declarações ocorrem em meio às tensões diplomáticas entre o Brasil e o governo de Donald Trump e à reta final da eleição presidencial brasileira, marcada para 4 de outubro. Lula disputa a Presidência com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), recebido pelo presidente norte-americano Donald Trump na Casa Branca em maio.
O presidente também criticou as tarifas adicionais impostas pelos EUA sobre produtos brasileiros e afirmou que a Organização Mundial do Comércio (OMC) enfrenta dificuldades.
“A Organização Mundial do Comércio respira por aparelhos. Quando os governos capitulam frente aos que usam tarifas como armas de coerção e chantagem, as consequências são nefastas. Apesar do tarifaço contra nossa economia, este ano bateremos novo recorde de exportações”, afirmou.
A Assembleia Geral da ONU reúne representantes dos 193 Estados-membros. Por tradição, o Brasil abre o debate geral desde 1955. Neste ano, Lula foi seguido por Trump.




