O Conselho de Educação do Texas, nos Estados Unidos, aprovou novas listas de leitura obrigatória para estudantes da rede pública de ensino que incluem trechos da Bíblia, em uma iniciativa que amplia a presença de conteúdos religiosos e conservadores nas escolas estaduais.
A medida foi aprovada na sexta-feira (26), por 9 votos a 5, e deverá entrar em vigor a partir de 2030, abrangendo mais de 5 milhões de alunos das escolas públicas do Texas. O estado já havia determinado a exibição dos Dez Mandamentos da Bíblia em todas as instituições públicas de ensino, decisão posteriormente mantida por um tribunal federal de apelações.
A iniciativa faz parte de um movimento de estados governados por republicanos que defendem a inclusão de referências cristãs na educação pública. Parlamentares e apoiadores afirmam que as medidas resgatam valores judaico-cristãos considerados parte da história dos Estados Unidos.
Críticos, no entanto, argumentam que as decisões violam a cláusula de estabelecimento da Constituição americana, que impede a adoção de uma religião oficial pelo Estado e é interpretada pelos tribunais como um princípio de separação entre Igreja e governo.
A nova lista de leitura inclui principalmente obras não religiosas e clássicos da literatura, como fábulas de Esopo, histórias sobre povos indígenas norte-americanos e adaptações infantis de Dom Quixote. Ainda assim, críticos apontam que muitos dos textos foram escritos por autores brancos do sexo masculino, em um estado cuja população estudantil é majoritariamente composta por alunos latinos e negros.
Rachel Laser, diretora da organização Americans United for Separation of Church and State, afirmou que a decisão do conselho representa uma tentativa de utilizar escolas públicas para promover determinadas crenças religiosas. Segundo ela, a medida poderia influenciar a formação de uma nova geração de estudantes por meio de uma visão religiosa específica sobre a identidade nacional.




