O ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência da República, Romeu Zema (Novo), foi desconvidado de um encontro do próprio partido em Santa Catarina, previsto para o início de julho.
A decisão ocorre após o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro defender o rompimento entre o PL e o Novo, depois de Zema criticar o senador Flávio Bolsonaro por sua relação com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, que está preso.
Segundo informações publicadas inicialmente pelo jornal O Globo, integrantes da pré-campanha de Zema afirmaram, sob reserva, que o ex-governador soube do cancelamento do convite pela imprensa.
“Sou muito bem recebido pelos catarinenses, tenho um carinho muito especial por eles. Já estive várias vezes no estado e, em breve, estarei lá novamente”, afirmou Zema sobre o episódio.
O presidente do diretório do Novo em Santa Catarina, Kahlil Elias Assib Zattar, informou, em comunicado enviado a integrantes da legenda e a lideranças estaduais, que, após uma conversa de alinhamento com dirigentes do partido, a sigla decidiu não manter o convite.
A nota também afirma que, caso não ocorra uma mudança “drástica e imediata” na equipe de comunicação do pré-candidato, o diretório estadual deverá se posicionar contra a indicação de Zema como candidato à Presidência.
Integrantes da cúpula nacional do Novo, porém, alegam que a decisão foi unilateral e afirmam que há indignação entre filiados, que pedem a destituição de Kahlil.
Em maio, após a divulgação de conversas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, Zema afirmou que considerava “imperdoável” o pedido de dinheiro para financiar o filme Dark Horse, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Dias depois, disse que o episódio era “página virada”, mas voltou a criticar a postura do senador.
“Para mim, quem anda com bandido merece ser visto com cautela”, declarou Zema, ao afirmar que nunca se reuniu com Vorcaro.
Apesar das críticas, Zema afirmou, nesta segunda-feira (15), que a direita deverá se unir em um eventual segundo turno contra o PT. A declaração ocorreu durante um evento em São Paulo.
O fundador do Novo, João Amoêdo, criticou a situação e afirmou: “O partido, há muito tempo, não tem governança nem princípios. Virou apenas uma legenda oportunista, linha auxiliar do bolsonarismo. Não me surpreendem a postura eleitoreira do diretório nem a submissão de Zema”.
No fim de semana, Eduardo Bolsonaro publicou uma mensagem nas redes sociais sugerindo um “rompimento geral” com o Novo após a divulgação de um vídeo em que Zema reafirma críticas feitas a Flávio Bolsonaro.
Em entrevista ao canal Brasil Paralelo, Zema declarou: “Eu fiquei indignado, expressei a minha indignação e não mudo em nada. Para mim, quem anda com bandido tem que ser visto com cautela.”




