O Grupo Casas Bahia demitiu cerca de 3 mil funcionários e fechou quase 300 lojas em agosto de 2026, segundo informações apresentadas pela companhia em seu pedido de recuperação judicial à Justiça de São Paulo.
As medidas fazem parte da estratégia para reduzir custos e enfrentar, segundo a empresa, a pior crise financeira de sua história. O grupo afirma que o processo busca reorganizar sua estrutura financeira, preservar empregos e garantir a continuidade das operações.
A nova rodada de cortes se soma às medidas adotadas desde 2023, quando a companhia iniciou o chamado Plano de Transformação. Naquele ano, foram encerradas 55 lojas consideradas deficitárias e reduzidos aproximadamente 8,6 mil postos de trabalho.
Segundo a petição, a crise foi agravada pelo ambiente de juros elevados, pela queda no consumo de bens duráveis, pelo aumento da inadimplência e pelas dificuldades enfrentadas pelo setor varejista. A empresa também citou os impactos da transformação digital no comércio.
Além do fechamento de unidades e da redução do quadro de funcionários, a companhia diminuiu estoques, cortou investimentos e promoveu ajustes nos centros de distribuição. Apesar dos resultados obtidos, o alto custo da dívida continuou pressionando o caixa.
Somadas as duas etapas de reestruturação, o Grupo Casas Bahia eliminou aproximadamente 11,6 mil postos de trabalho e encerrou cerca de 355 lojas.
O pedido de recuperação judicial foi anunciado pela companhia na noite de domingo (16). A medida envolve a própria Casas Bahia e outras nove empresas do grupo. O objetivo é reorganizar as finanças e renegociar cerca de R$ 17,3 bilhões em dívidas.
O processo foi protocolado no Foro Central Cível de São Paulo, especializado em falências e recuperações judiciais. A recuperação judicial permite que empresas em dificuldades financeiras renegociem suas dívidas sob supervisão da Justiça, com o objetivo de evitar a falência e manter suas atividades.
Segundo a empresa, as lojas físicas, o comércio eletrônico e os demais canais de venda continuarão funcionando. Como o pedido foi apresentado em caráter de urgência, ainda precisará ser ratificado pelos acionistas em Assembleia Geral Extraordinária.
A reestruturação começou em 2023, com o objetivo de reduzir despesas, aumentar a eficiência operacional e fortalecer a geração de caixa. Em 2024, a companhia também realizou uma recuperação extrajudicial para renegociar cerca de R$ 4,1 bilhões em dívidas com instituições financeiras.
Na ocasião, a empresa esperava que a renegociação, combinada à perspectiva de redução dos juros e de retomada do consumo, ajudasse a estabilizar suas contas. Segundo a companhia, porém, o cenário econômico permaneceu desfavorável.
Atualmente, o Grupo Casas Bahia afirma manter mais de 20 mil funcionários e mais de 700 lojas físicas em operação. A empresa sustenta que a recuperação judicial é necessária para preservar esses empregos e assegurar a continuidade dos negócios.




