Pacientes suspeitos de Ebola “fogem” de clínica na RDC

Atualmente, há 750 casos suspeitos e 177 mortes suspeitas no surto.


Moradores enfurecidos de uma cidade localizada no epicentro do surto de Ebola, no leste da República Democrática do Congo (RDC), atacaram e incendiaram uma tenda de um centro de saúde destinada ao tratamento de pacientes infectados pelo vírus, informou a equipe médica local no sábado (23). Este foi o segundo ataque do tipo registrado na região em menos de uma semana.

De acordo com relatos iniciais, ninguém ficou ferido durante a ação. No entanto, em meio ao pânico provocado pelo incêndio, 18 pessoas com suspeita de infecção por Ebola fugiram da unidade e estão desaparecidas, segundo o diretor de um hospital local.

O ataque ocorreu na noite de sexta-feira (22), quando moradores da cidade de Mongbwalu invadiram uma clínica e incendiaram uma tenda destinada a casos suspeitos e confirmados da doença, instalada pelo grupo humanitário Médicos Sem Fronteiras (MSF). Em entrevista à agência Associated Press, o diretor do hospital de Mongbwalu, Dr. Richard Lokudi, afirmou: “Condenamos veementemente este ato, pois ele causou pânico entre os funcionários e resultou na fuga de 18 pessoas suspeitas para a comunidade”.

Na quinta-feira (21), outro centro de tratamento, localizado na cidade de Rwampara, também foi incendiado após familiares serem impedidos de recuperar o corpo de um homem suspeito de ter morrido em decorrência do Ebola. Autoridades sanitárias alertam que corpos de vítimas da doença podem permanecer altamente contagiosos, aumentando o risco de disseminação do vírus durante rituais funerários.

O manejo e o sepultamento de vítimas suspeitas vêm sendo conduzidos, sempre que possível, por equipes especializadas, o que tem provocado tensão e protestos entre familiares e moradores da região.

No sábado, um enterro coletivo de pacientes com Ebola foi realizado em Rwampara sob forte esquema de segurança. Segundo David Basima, líder da equipe da Cruz Vermelha responsável pelos enterros, há um clima de forte tensão entre profissionais de saúde e a população local. Em uma tentativa de conter o avanço da doença, autoridades do nordeste da RDC proibiram, na sexta-feira, velórios e reuniões com mais de 50 pessoas.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) elevou o nível de risco do surto para “muito alto” dentro da República Democrática do Congo, acima da classificação anterior, “alto”, embora avalie como baixo o risco de propagação global.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, informou, na sexta-feira, que 82 casos e sete mortes já foram confirmados no país, mas alertou que o surto pode ser “muito maior”. O vírus identificado é o Bundibugyo, uma variante rara do Ebola para a qual não existe vacina disponível.

Atualmente, há 750 casos suspeitos e 177 mortes suspeitas sob investigação, números que podem aumentar à medida que a vigilância epidemiológica é ampliada. A Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho informou, ainda, que três de seus voluntários morreram após contraírem o vírus durante uma missão humanitária em Mongbwalu, em março.