Trump semeia incerteza sobre venda de armas à ilha de Taiwan

Trump afirmou que deve tomar, em breve, uma decisão sobre o caso.


O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (15) que ainda não decidiu se autorizará uma ampla venda de armas para Taiwan, ampliando as incertezas sobre o apoio militar de Washington à ilha governada democraticamente, após sua visita oficial à China nesta semana.

Em declarações à imprensa após a cúpula com o presidente chinês, Xi Jinping, Trump também sugeriu a possibilidade de dialogar com o presidente taiwanês, Lai Ching-te, sobre o tema — uma medida sem precedentes para um presidente norte-americano em exercício desde que Washington transferiu o reconhecimento diplomático de Taipei para Pequim, em 1979.

A possibilidade de um contato direto entre os líderes dos EUA e de Taiwan pode elevar as tensões com a China, que considera a ilha parte de seu território.

A bordo do Air Force One, durante o retorno aos EUA, Trump afirmou que deve tomar, em breve, uma decisão sobre os pacotes de armas pendentes para Taiwan.

“Preciso falar com a pessoa que, neste momento, vocês sabem quem é, está governando Taiwan”, disse Trump, sem mencionar nominalmente Lai, considerado por Pequim um separatista.

Um alto funcionário do governo norte-americano não esclareceu à agência Reuters se Trump fazia referência a uma conversa direta com o presidente taiwanês, mas afirmou que a decisão sobre uma nova venda de armas será tomada “em um prazo relativamente curto”.

Segundo o funcionário, Trump aprovou mais armamentos para Taiwan do que qualquer outro presidente dos EUA. Pela legislação norte-americana, Washington é obrigada a fornecer meios para a autodefesa da ilha, enquanto congressistas republicanos e democratas pressionam a Casa Branca pela continuidade desse apoio.

Atualmente, um pacote de armas avaliado em até US$ 14 bilhões, incluindo mísseis interceptores avançados, aguarda aprovação presidencial. Paralelamente, crescem, nos EUA e em Taiwan, as preocupações de que as negociações comerciais entre Washington e Pequim possam influenciar o apoio militar à ilha.

A declaração ocorreu ao final da viagem de três dias de Trump à China — a primeira de um presidente dos EUA desde 2017 —, durante a qual Xi teria alertado que uma condução inadequada da questão de Taiwan poderia gerar conflito entre as duas potências.

Trump afirmou que os dois líderes “conversaram bastante sobre Taiwan”, mas negou ter assumido compromissos com Xi.

“Não fiz nenhum comentário sobre isso. Ouvi o que ele tinha a dizer”, declarou.

O presidente norte-americano também afirmou que Xi perguntou diretamente se os EUA defenderiam Taiwan em caso de um ataque chinês, mas disse ter evitado responder.

“Só existe uma pessoa que sabe disso, e essa pessoa sou eu. Sou a única pessoa”, disse Trump. “Essa pergunta me foi feita hoje pelo presidente Xi. Eu respondi: ‘Não falo sobre isso’.”

O Ministério das Relações Exteriores de Taiwan agradeceu o apoio militar anterior dos EUA e afirmou que as vendas de armas representam uma forma de “dissuasão conjunta contra ameaças regionais”.