UE avalia “lockdown energético” após crise em Ormuz

Ormuz é um estreito por onde passa 20% do petróleo mundial.


A crise no abastecimento de energia na Europa se intensifica em meio às tensões no Oriente Médio e já mobiliza autoridades do bloco para a adoção de medidas emergenciais. Nos bastidores de Bruxelas, sede da União Europeia (UE), ganha força a discussão sobre a implementação de restrições ao consumo que remetem ao período da pandemia de Covid-19, em um cenário descrito como possível “lockdown energético”.

O agravamento da situação ocorre após o fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã e, posteriormente, pelos Estados Unidos. O bloqueio americano tem como objetivo impedir apenas o trânsito de embarcações com destino a portos iranianos, não o estreito completo.

Ormuz é uma rota estratégica por onde passa 20% do tráfego global de petróleo.

Diante disso, o comissário de Energia da União Europeia, Dan Jørgensen, encaminhou uma carta aos governos nacionais sugerindo a redução do uso de transportes como forma de preservar estoques de diesel e combustível de aviação, que atingiram níveis recordes de preço.

Entre as medidas em análise estão iniciativas semelhantes às adotadas durante a crise do petróleo de 1973, como a implementação de “domingos sem carros” e o racionamento de gasolina, com o objetivo de evitar um colapso no sistema energético.

A gravidade do cenário foi destacada por lideranças europeias. O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, afirmou que o impacto econômico pode rivalizar com o que o continente “experimentou recentemente durante a pandemia de Covid ou no início da guerra da Ucrânia”. Já o ministro da Defesa da Itália, Guido Crosetto, declarou ao jornal La Repubblica: “Sou forçado a saber coisas que não me deixam dormir”.

A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, também alertou para consequências prolongadas, afirmando que os efeitos de longo prazo são “provavelmente além daquilo que podemos imaginar no momento”.

O setor aéreo já sente os primeiros reflexos da crise. O grupo alemão Lufthansa avalia suspender temporariamente entre 20 e 40 aeronaves devido ao custo elevado do combustível. Segundo Willie Walsh, diretor-geral da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA, na sigla em inglês), “não há como a indústria absorver esse aumento; portanto, os preços subirão”.

Caso o conflito persista, especialistas apontam que cidadãos europeus poderão enfrentar restrições no consumo de energia, com impacto direto em viagens e no funcionamento de setores industriais essenciais.

Em meio à crise, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se manifestou nas redes sociais sobre a situação enfrentada pelos aliados europeus: “Vocês terão que começar a aprender a lutar por si mesmos”. Em seguida, acrescentou: “Vão buscar seu próprio petróleo!”.