Uma imagem do procurador-geral da República, Paulo Gonet, ao lado do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, em Londres, no Reino Unido, está entre as mensagens extraídas pela Polícia Federal (PF) do celular do empresário. As informações são do jornal O Globo.
Na fotografia, Vorcaro aparece sentado próximo a Gonet e a outros dois homens. O procurador-geral segura um charuto. Os quatro estão acomodados em duas mesas, sobre as quais há copos de uísque.
Gonet foi indicado para o cargo de procurador-geral da República pelo atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A imagem foi enviada a Vorcaro pelo advogado Ciro Soares, ex-defensor do Banco Master, em 19 de junho de 2025. Na sequência, Soares escreveu: “PG me mandou”, em referência às iniciais de Paulo Gonet.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) confirmou a autenticidade da fotografia e afirmou que Gonet já havia admitido publicamente ter participado do evento organizado por Vorcaro, que contou com a presença de outras autoridades.
A PGR também declarou que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), responsável pelo caso Master, afirmou que a menção ao procurador-geral nas mensagens não apresentava gravidade.
As mensagens de Soares e Vorcaro que citam Gonet foram reveladas em 1º de setembro, após Mendonça tornar público um relatório da PF que também mencionava o ministro Alexandre de Moraes. Mendonça pediu ao presidente do STF, Edson Fachin, que o caso fosse levado ao plenário da Corte. A análise começou na terça-feira (15), mas foi interrompida após pedido de vista do ministro Flávio Dino.
Citado no relatório, Gonet defendeu a nulidade do documento da PF. Segundo ele, o relatório teria sido produzido por solicitação de Mendonça, sem pedido prévio da PGR ou da própria PF. O procurador-geral também afirmou ser necessária autorização do plenário do STF para investigar um integrante da Corte, o que, segundo ele, não ocorreu.
Durante a sessão de terça-feira, Gonet negou ter mantido relação de proximidade com Vorcaro e afirmou que o vínculo entre os dois se limitou a uma relação “brevíssima e banal”.




