Seis meses após o início do conflito entre os Estados Unidos e o Irã, estrategistas do banco norte-americano JPMorgan Chase afirmam não conseguir mais estabelecer um cenário de referência para o mercado global de petróleo. Natasha Kaneva, chefe de estratégia global de commodities do banco, comunicou a clientes na quinta-feira (17) que sua equipe abandonou, pela primeira vez desde o início das hostilidades, em fevereiro, sua projeção central para o desfecho da guerra.
“Pela primeira vez desde o início do conflito com o Irã, não temos uma visão de referência”, escreveu Kaneva. “Simplesmente não sabemos como modelar o desfecho.”
A análise inicial do banco considerava que o presidente Donald Trump seria pressionado a negociar a reabertura do estratégico Estreito de Ormuz — rota comercial por onde passa cerca de 20% do petróleo comercializado mundialmente — quando o petróleo superasse US$ 100 por barril, a gasolina se aproximasse de US$ 5 por galão nos EUA e o rendimento dos títulos do Tesouro americano de 10 anos ultrapassasse 5%.
Seis meses depois, duas dessas condições foram atingidas. O petróleo Brent supera US$ 100 por barril, e o rendimento dos títulos de 10 anos passou de 5%. A gasolina, por sua vez, atingiu média nacional de US$ 4,43 por galão, abaixo do limite projetado.
Um acordo provisório para reabrir o estreito foi firmado em junho, mas entrou em colapso semanas depois. O Brent chegou próximo de US$ 110 no início desta semana e é negociado perto de US$ 105.
O diesel tornou-se outro ponto de pressão, com preços acima de US$ 6 por galão nos EUA e estoques historicamente baixos, elevando os custos de transporte, agricultura e indústria.
A infraestrutura de abastecimento também enfrenta riscos. A Arábia Saudita suspendeu as operações no oleoduto Leste-Oeste após um ataque de drones lançado do Iraque danificar a estrutura, que possui capacidade de transportar 7 milhões de barris por dia.
O sistema, somado a oleodutos dos Emirados Árabes Unidos e do Iraque, poderia transportar cerca de 9 milhões de barris por dia, menos da metade dos aproximadamente 20 milhões que passam pelo Estreito de Ormuz em condições normais.
Enquanto isso, os trânsitos pelo estreito permanecem próximos de 10 navios por dia, ante mais de 120 antes do conflito. “Na nossa opinião, o mercado está à beira de um colapso”, escreveu a equipe de Kaneva.
A instabilidade também se estende à Rússia e à Ucrânia, países em guerra desde 2022, onde ataques contra refinarias russas adicionam novos riscos ao abastecimento energético global.




