O governo de Donald Trump concordou, na quinta-feira (17), em vender caças furtivos F-35 à Arábia Saudita, apesar das preocupações de legisladores e autoridades de defesa dos EUA de que a operação poderia ampliar o acesso da China a tecnologias militares altamente sensíveis dos Estados Unidos.
O potencial acordo, estimado em US$ 24 bilhões, prevê o fornecimento de 48 aeronaves ao reino saudita, que mantém estreitos laços militares com Pequim. A operação colocaria a Arábia Saudita em posição semelhante à de Israel — único país até então a ter caças F-35 no Oriente Médio —, que possui uma frota de 50 F-35. A venda, contudo, ainda dependerá da aprovação do Congresso dos EUA e poderá enfrentar resistência israelense, diante da oposição histórica do país à transferência dessas aeronaves aos sauditas.
“Isso poderia colocar as joias da coroa da tecnologia militar americana ao alcance do Partido Comunista Chinês”, afirmou o deputado Raja Krishnamoorthi, democrata de Illinois e membro do Comitê de Inteligência da Câmara norte-americana.
Israel é o único outro país do Oriente Médio a operar os F-35. Os EUA mantêm o compromisso de garantir ao país uma “vantagem militar qualitativa” sobre outras nações da região, princípio que, segundo críticos da proposta, poderia ser afetado pela venda.
“O equipamento e o suporte propostos não alterarão o equilíbrio militar na região”, afirmou o Departamento de Estado em comunicado sobre a decisão.
A proposta ocorre enquanto a Arábia Saudita enfrenta ataques regulares de mísseis e drones provenientes do Irã e em meio à retomada dos combates com forças Houthi, apoiadas por Teerã, no Iêmen.
Trump mantém relações próximas com a liderança saudita. Seu genro, Jared Kushner, também intermediou um investimento de US$ 2 bilhões do fundo soberano saudita em sua empresa de private equity durante o período entre os governos Trump.
O Congresso ainda precisa aprovar a venda antes que uma empresa de defesa americana possa iniciar negociações com o comprador. Controvérsias semelhantes já provocaram atrasos em encomendas de F-35.
Em dezembro de 2021, os Emirados Árabes Unidos suspenderam uma proposta de US$ 23 bilhões para adquirir F-35, citando preocupações do governo de Joe Biden sobre os vínculos de Abu Dhabi com Pequim e o uso de tecnologia 5G da companhia chinesa Huawei.




